Tromboembolismo Venoso (TEV)

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O tromboembolismo venoso (TEV) é uma doença muito mais freqüente do que se imagina, principalmente nos pacientes acamados ou hospitalizados. O TEV inclui a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP), que é uma condição grave e potencialmente fatal que pode complicar a evolução de pacientes em geral, em específico com câncer.

Mas o que é a trombose?

Por algumas razões, o sangue pode coagular ao passar por um determinado lugar dentro de uma artéria ou de uma veia, formando então um pequeno coágulo que se adere às paredes do vaso, também chamado pelos médicos de trombos. Cada vez que um trombo se forma, pode causar sintomas importantes, dependendo da região em que é formado. É isto que chamamos de trombose. Quando a trombose ocorre em uma artéria, é chamada de trombose arterial. Quando ocorre em uma veia, estamos diante de uma trombose venosa.

A TEV e a TVP são a mesma coisa?

Não são a mesma coisa, mas estão extremamente relacionados. TEV significa Tromboembolismo Venoso, um termo que inclui tanto a Trombose Venosa Profunda (TVP) como a sua maior complicação, que é a embolia pulmonar. A TVP, como o próprio nome diz, significa a formação de um trombo (um coágulo de sangue) em uma veia localizada profundamente, na maioria das vezes nas pernas. Muitas vezes, parte desse coágulo se solta, “viaja” pelas veias e pára em uma das veias do pulmão, e é isto que chamamos de embolia pulmonar.

Tendo- se assim:

TEV = TVP + EP

O que contribui para o desenvolvimento da TEV?

As chances de se fazer um trombo em determinada veia dependem do número de fatores de risco presentes. Conforme Rudolph Virchow, um estudioso do assunto do século XIX, criou a chamada Tríade de Virchow, que reúne três fatores que predispõem ao desenvolvimento de TEV:

  • REDUÇÃO DO FLUXO DE SANGUE: no interior de um vaso. Isto acontece, por exemplo, quando alguém está engessado, acamado ou permanece sentado por muito tempo (em uma viagem mais prolongada, por exemplo).
  • COAGULAÇÃO AUMENTADA DO SANGUE: Isto pode acontecer em pacientes com câncer ou que perderam muito sangue em uma cirurgia, por exemplo. Também algumas doenças genéticas mais raras podem contribuir para o aumento da coagulação do sangue.
  • LESÕES DA PAREDE INTERNA DOS VASOS: Isto pode ocorrer também durante uma cirurgia. O processo que o organismo desencadeia para tentar “consertar” essa lesão estimula um processo exagerado de coagulação.

    Você sabia que existem outros fatores de risco para o tromboembolismo venoso…?

-Idade mais avançada (acima de 40 anos) ;
-Obesidade;
-presença de varizes nas pernas;
-problemas congênitos ;
-gravidez (risco quatro vezes maior) ;
-pós-parto (3-5 vezes maior do que na gravidez) ;
-diversos tipos de câncer ;
-AVC (acidente vascular cerebral) ;
-traumatismos, principalmente nas extremidades inferiores (risco de TVP por volta de 70%) ;
-doenças crônicas, como a insuficiência cardíaca, bronquite, enfisema pulmonar.;
-doenças agudas, como o infarto do miocárdio e infecções;
-uso de medicações como os contraceptivos orais e as drogas para o tratamento de câncer
fraturas ósseas, etc.;

Quais são os sinais e sintomas decorrentes?

– Dor: é o sintoma mais comum. Ocorre devido a pressão que o edema causa sobre as terminações nervosas do membro afetado;
-Edema: é causado pelo aumento da pressão venosa, sendo sempre unilateral;
-Febre, taquicardia, mal-estar- ocasionados pela liberação dos marcadores inflamatórios na corrente sanguínea;
-Dilatação das veias superficiais do membro afetado;
-Empastamento muscular;
-Cianose do membro;
-Aumento da temperatura e dor dos trajetos venosos.

Como é diagnosticado?
Atualmente, o exame complementar mais utilizado em pacientes de UTI para o diagnóstico da TVP é o Doppler Venoso Colorido, com uma média de 97% de especificidade para o diagnóstico. O emprego de exames de laboratório também ajudam no diagnóstico, sendo os de coagulação e a dosagem de Dímero D os mais empregados.

Quais são os cuidados intensivos de Enfermagem?
Podemos dividir os cuidados de enfermagem em duas situações. Cuidados com pacientes com TEV já diagnosticada e cuidados preventivos para o surgimento de TEV em pacientes internados em terapia intensiva.

Cuidados Intensivos de Enfermagem ao Paciente com TEV

-Deve-se estar atento a queixas de tosse, dispnéia, hemoptise;
-Observar presença de cianose;
-Ficar atento a quedas de saturação de oxigênio;
-Medir diariamente a circunferência do membro afetado;
-Avaliar a perfusão do membro afetado;
-Sabe-se que todo paciente de UTI permanece no leito, mas o repouso absoluto é necessário;
-Manter o paciente em Trendelemburg ( pois diminui a pressão hidrostática, diminui o edema e alivia dor);
-Colocar meias elásticas de média compressão;
-Rodiziar o local de aplicação de heparina subcutânea;
-Se o paciente estiver usando heparina endovenosa, utilizar sempre bomba de infusão;
-Ficar atento a sinais de hemorragia;
-Acompanhar diariamente os nívei de plaquetas no sangue ( risco de trombocitopenia)
-Na presença de trompocitopenia, evitar punções arteriais, venosas e escovação dentária pelo risco de sangramento, devendo a higiene oral ser realizada com água e bochecho com antisséptico;
-Aplicar pomadas antitrombóticas nos hematomas.

Cuidados Preventivos ao Aparecimento da TEV

– Todo paciente de risco para TEV internado em UTI deve receber algum tipo de tratamento preventivo (farmacológico, mecânico ou associado). O método preventivo deve ser seguro e efetivo. Algumas medidas mecânicas orientadas pelos enfermeiros intensivistas aos técnicos de enfermagem são:

-Estimulação da hidratação adequada (respeitando sempre a restrição hídrica do paciente);
-Orientar a movimentação passiva e ativa dos membros inferiores;
-Uso de meias de compressão graduada;
-Utilização de compressão pneumática intermitente (uso de bomba pneumática ou botas pneumáticas, onde seu uso depende de uma equipe bem treinada).

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