Refluxo Gastroesofágico (RGE)

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O Refluxo gastroesofágico (RGE) é uma doença digestiva em que os ácidos presentes dentro do estômago voltam pelo esôfago ao invés de seguir o fluxo normal da digestão. Esse movimento é conhecido como refluxo e irrita os tecidos que revestem o esôfago, causando os sintomas típicos da RGE.

Na criança, ainda no primeiro ano de vida, pode ocorrer um refluxo gastroesofágico excessivo, levando à devolução da mamada, a engasgos, a choro excessivo, a sono interrompido e quando repetitivo, predispõe a infecções e distúrbios respiratórios.

É um evento muito frequente nos recém-nascidos devido:

  •  Imaturidade do esfíncter inferior do esôfago (EEI). Pode ocorrer a hipotonia (8%) ou relaxamento transitório de mais de 35seg. (60 a 83%);
  • retardo do esvaziamento gástrico;
  • ao próprio ato de mamar que provoca grande ingestão de ar;
  • aumento do volume do estômago devido ao volume proporcionalmente grande de leite.

Causas

Quando uma pessoa come, a comida passa da garganta para o estômago através do esôfago. Uma vez que a comida está no estômago, um anel de fibras musculares impede que o alimento se mova para trás, em direção ao esôfago. Essas fibras musculares são chamadas de esfíncter esofágico inferior (EEI).

Se o esfíncter não fechar bem, tudo o que a pessoa comeu, bebeu e até mesmo o suco gástrico usado na digestão pode vazar de volta para o esôfago. Isso é chamado de refluxo gastroesofágico. Esse refluxo pode causar irritação na parede do esôfago, gerando os sintomas característicos da doença do refluxo gastroesofágico.

Fatores de risco

Alguns fatores são considerados de risco, pois aumentam as chances de uma pessoa apresentar a doença do refluxo gastroesofágico:

  • Obesidade
  • Gravidez
  • Hérnia de Hiato, em que parte do estômago se move acima do diafragma
  • Tabagismo
  • Ressecamento bucal
  • Asma
  • Diabetes
  • Atraso no esvaziamento do estômago
  • Esclerodermia e outros distúrbios do tecido conjuntivo
  • Síndrome de Zollinger-Ellison, em que o estômago produz mais ácido clorídrico que o normal.

A alimentação também está diretamente relacionada à ocorrência da doença. Chocolate, pimenta, frituras, café e bebidas alcóolicas estão entre os itens que, se consumidos em excesso, podem contribuir para o refluxo.

Sintomas de Doença do refluxo gastroesofágico

Alguns sintomas são característicos da doença de refluxo gastroesofágico. Veja:

  • Azia
  • Dor no peito
  • Dificuldade para engolir
  • Tosse seca
  • Rouquidão
  • Dor de garganta
  • Regurgitação e refluxo de suco gástrico
  • Inchaço na garganta
  • Náusea após refeições.

Uma pessoa diagnosticada com RGE pode ter a sensação de que o alimento pode ter ficado preso na garganta e pode sentir os sinais da doença aumentar ao se curvar, inclinar para a frente, ficar deitado ou comer. Os sintomas também costumam ser piores à noite e podem ser aliviados com antiácidos.

Qual a melhor posição recomendada (em casos de lactentes)?

Há algumas controvérsias, como:

  • Decúbito Dorsal (Barriga para cima): diminui o risco de morte súbita Campanha da Pastoral da Criança;
  • Decúbito Lateral Direito: favorece o esvaziamento gástrico;
  • Decúbito Lateral Esquerdo: associado à diminuição do índice de refluxo quando comparado às demais posições, conforme demonstrado em alguns estudos;
  • Consenso: Decúbito Ventral NÃO é recomendado devido à associação com a morte súbita do lactente, embora no passado tenha sido a posição mais recomendada e estudada.

Cuidados de Enfermagem em Especial com Crianças com RGE:

  •  orientar aos pais quanto a normalidade da regurgitação nos primeiros meses;
  •  proporcionar alimentação fracionada (volumes pequenos, várias vezes ao dia);
  • manter a cabeceira elevada a 30º;
  • manter a criança ereta no período pós-prandial por 30min. Crianças maiores recomenda-se que não se deitem nem fiquem sentadas por muito tempo após às refeições;
  • evitar alimentos que diminuam o tônus do EEI ou aumentem a acidez gástrica, como por exemplo alimentos gordurosos, condimentos diversos, frutas cítricas, chocolate, chá, café, refrigerantes e hortaliças cruas, tomates;
  • colocar a criança para eructar durante e após cada mamada;
  • movimentar o mínimo a criança durante e após a refeição;
  • evitar manobras que aumentem a pressão intra-abdominal, por exemplo, abraçá-la pelo abdome durante a troca de fraldas, bem como não utilizem cintos apertados em crianças maiores
  • observar alterações no padrão respiratório;
  • verificar o peso diário (se hospitalizada);
Cuidados de Enfermagem em Adultos com RGE:
 
  • Elevação de 15 cm da cabeceira da cama;
  •  Moderar a ingestão dos seguintes alimentos na dependência da correlação com sintomas: cítricos, café, bebidas alcoólicas e ou gasosas, menta, hortelã, tomate, chocolate;
  • Cuidados especiais com medicamentos potencialmente “de risco” (que podem piorar o quadro clinico): anticolinérgicos, teofilina, bloqueadores dos canais de cálcio, alendronato;
  • Evitar deitar-se nas duas horas posteriores às refeições;
  • Evitar refeições copiosas;
  • Suspensão do fumo;
  • Redução do peso corporal em obesos.
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