O Cateter Permcath: O que é?

Cateter Permcath

O Cateter de Permcath é um pouco diferente do Cateter de Shilley. Mesmo que ambos sejam para sua principal função, que é permitir a hemodiálise ao paciente, o cateter de Shilley é muito utilizado como procedimento temporário, outras vezes é um procedimento de transição para a fístula, e outras vezes, é definitivo.

O que é o Cateter Permcath?

O Nome Permcath já provém do significado vindo do inglês: “Perm” de permanência e “Cath” de cateter, onde o mesmo é de longa permanência, podendo ficar em até dois anos implantado em uma veia de grosso calibre central, geralmente através da veia jugular no pescoço.

Os Locais de Inserção

Pode também ser introduzido em outras veias como a subclávia, que fica no tórax embaixo da clavícula, ou na femoral, que fica na virilha, além de outros locais menos comuns.

Este cateter é colocado através de um túnel feito em microcirurgia com saída em um local diferente do que foi implantado, oferecendo mais conforto ao paciente e, mais importante, menor índice de infecções.

Para quem é indicado este tipo de cateter?

Geralmente é indicado em pacientes portadores de insuficiência renal crônica (IRC), que necessitam realizar hemodiálise, que é o processo de filtração do sangue que substitui as funções dos rins; onde necessitam de um acesso venoso para o procedimento.

Os acessos mais utilizados são os cateteres, no caso o Permcath, e as fístulas arteriovenosas.

Mas qual é o acesso ideal para a Hemodiálise?

O ideal mesmo é a fístula arteriovenosa (FAV) autóloga, ou seja, confeccionada com a veia do próprio indivíduo, pois apresenta maior potência, menor índice de intervenções e menos infecção, se comparadas à FAV heteróloga (confeccionada com prótese), ao cateter tunelizado com cuff (permcath) e ao cateter não tunelizado (shilley).

As Complicações

O Permcath apresenta baixo índice de complicações; porém, mesmo sendo raras, podem ser importantes, portanto nunca se deve minimizar ao paciente tal procedimento.

As complicações do intra e do pós-operatório imediato do cateter consiste sobretudo em:

  • Punção arterial acidental;
  • Hematoma;
  • Embolia gasosa;
  • Pneumotórax;
  • Disfunção do cateter;
  • Perfuração de vasos, do átrio ou do ventrículo direito;
  • Lesão do ducto torácico quando a punção é realizada do lado esquerdo.

As complicações tardias consistem em:

  • Fratura do cateter;
  • Desconexão do cateter do reservatório;
  • Extravasamento de medicamentos;
  • Extrusão do reservatório e/ou necrose de pele que recobre o cateter;
  • Rotação do reservatório;
  • Tração inadvertida da extremidade do cateter;
  • Oclusão do cateter;
  • Trombose venosa profunda;
  • Infecção.

Como é feito o procedimento de inserção do cateter?

O implante do cateter de Permcath é feito no centro cirúrgico com a aplicação de anestesia local.

Utilizando aparelho de radioscopia digital, o procedimento é realizado de forma rápida e segura.

Geralmente o paciente recebe alta no mesmo dia e pode realizar hemodiálise pelo cateter assim que este é implantado.

Em alguns casos, o Permcath também pode ser utilizado para transplante de medula óssea.

Quem pode manipular os cateteres tipo Permcath dentro da Equipe de Enfermagem?

Conforme o Parecer Técnico Coren-PE nº 011/2016, onde é discutido sobre a legalidade da manipulação de acessos tipo cateter de permcath de pacientes em hemodiálise, especialmente os de difícil acesso venoso; eles esclarecem que:

“Diante do exposto, destacamos que fazem parte da manipulação dos cateteres do tipo Permcath; a heparinização, manutenção da fixação, curativo e prevenção de infecções. Que os mesmos, por serem longos, exigem um cuidado mais aprofundado, denotando exigência de competência técnica mais complexa que a manipulação dos cateteres menores. Outro item considerado é a complexidade do paciente. O que nos inclina a esclarecer que esta é uma atividade que deve ser realizada por Enfermeiro. Não devendo estes, delegar esta atividade aos profissionais de enfermagem de nível médio. Devem ainda estar aptos a realiza-la após comprovada qualificação e/ou experiência na manipulação dos mesmos.

Deve utilizar a Sistematização da Assistência de Enfermagem para o cuidado aos pacientes, elaborar protocolos que descrevam detalhadamente o rito de manipulação, como rotinas de heparinização e troca de curativos. Por último, deve comunicar as autoridades competentes, quando houver déficit de profissionais e/ou profissionais desqualificados para a prática em tela”

Quanto ao curativo:

O primeiro curativo do sítio de inserção do cateter (óstio) deverá ser realizado após 24 horas da data de inserção ou antes caso haja presença visível de sangue decorrente da punção. O curativo deverá ser trocado, a seguir, a cada 48 horas ou sempre que o mesmo apresentar-se sujo, molhado ou soltando, respeitando a técnica asséptica, descrita a seguir:

  • Lavar as mãos com água e sabão neutro ou utilizar álcool gel (com a mesma técnica de fricção das mãos);
  • Caso utilize a técnica “no touch” (técnica onde se utiliza pinças de curativo, sem o contato direto das mãos no campo), a utilização de luvas estéreis é dispensável;
  • Retirar o curativo anterior e proceder à troca;
  • Calçar luvas estéreis e colocar o campo estéril;
  • Palpar túnel em direção ao óstio e inspecionar o óstio para avaliar hiperemia, dor , edema , secreção , sangramento , etc.;
  • Avaliar o óstio, buscando sinais de infecção como hiperemia, secreção (purulenta ou não), dor e calor;
  • Limpar o óstio com soro fisiológico com gaze estéril;
  • Fazer limpeza do óstio com gaze umedecida em clorexidina alcoólica;
  • Fazer 3 vezes a desinfecção de todo cateter com clorexidina alcoólica , sempre no sentido do óstio p/ as conexões;
  • Testar refluxo das duas vias do cateter c/ seringas 3ml e desprezar as  seringas c/ sangue;
  • Testar fluxo das duas vias com seringas contendo 15cc de SF 0, 9% fazer em “flush” rápido , seguido do clampeamento de cada via (técnica de salinização do cateter);
  • Atentar p/ posicionamento correto do “Clamp”;
  • Trocar soros e equipos e polifix a cada troca de curativo;
  • Fechar o curativo com gaze seca estéril e micropore, não esquecendo de datar o curativo. Caso utilize cobertura do tipo filme transparente estéril não há necessidade de manter gaze no óstio de inserção;
  • Trocar o curativo a cada 48h ou caso necessário;
  • Registrar o curativo em prontuário.

Obs.: Caso haja presença de secreção ou sangue no óstio, o curativo deve ser trocado diariamente até a ausência de sinais de infecção. O uso de máscara é dispensável. Recomenda-se não conversar durante o procedimento. É imprescindível o auxílio de um outro profissional para evitar a contaminação do material.

Quanto aos cuidados com os conectores:

  • Realizar desinfecção das conexões antes da manipulação do cateter realizando fricção com gaze umedecida em clorexidina alcoólica trocando-os a cada curativo;
  • Os dispositivos utilizados para a administração de sangue e derivados devem ser trocados a cada 12 horas e os utilizados para a administração de nutrição parenteral a cada 24 horas;
  • No caso de inserção de um novo cateter, todas as soluções e dispositivos de infusão devem ser trocados e jamais transferidos do antigo para o novo.

Veja Também:

Hemodiálise intensiva

Diálise Peritoneal (DP)

 

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