Novas Diretrizes de Hipertensão Arterial: O que muda?

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No início de setembro do ano de 2016, a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou a 7º Diretriz Brasileira de Hipertensão. Nós, profissionais de saúde, ansiávamos por esta atualização, visto que a nossa última diretriz era de 2010, ao passo que guidelines internacionais vigentes datam de 2013 e 2014.
 
Algumas pequenas modificações foram realizadas, destacando-se principalmente questões relacionadas à estratificação de risco e ao tratamento:
 
Independente dos valores de pressão arterial, pacientes com diabetes melitus e lesões em órgão-alvo são considerados de alto risco cardiovascular. Na diretriz passada, pacientes com PA normal eram considerados de risco moderado na presença destas condições.
 
Novos fatores de risco foram incluídos/atualizados:
– obesidade (IMC ≥ 30 kg/m2 e/ou circunferência abdominal ≥ 102 cm nos homens ou ≥88 cm nas mulheres);
– resistência à insulina (glicemia plasmática em jejum: 100-125 mg/dl; Teste oral de tolerância à glicose: 140-199 mg/dl em 2 horas;
– hemoglobina glicada: 5,7 – 6,4%) e
– LDL > 115mg/dl (a diretriz anterior preconizava >110mg/dl como fator de risco).
 
Os betabloqueadores, que antes se enquadravam na categoria de medicamentos de primeira linha, assim como os diuréticos, BCC e iECA/BRA, devem ser reservados para condições específicas. Recentes meta-análises, já descritas neste grupo, foram consideradas para a afirmação desta questão. Os BB apresentam benefícios inferiores em relação aos demais grupos, especialmente na população idosa e considerando a redução do risco de AVC. Porém, pacientes com coronariopatias devem ser avaliados para a utilização de BB.
 
Por fim, acredito que as maiores dúvidas eram com relação às metas de pressão arterial, pois as sociedades se divergem muito. A JNC-8 de 2014, até então o guideline de HAS disponível mais atualizado, preconiza meta de PA <140/90mmHg para todos os pacientes, independente dos fatores de risco, bem como PA <150/90mmHg para idosos (>60 anos). No entanto, novos estudos foram publicados em 2015 e 2016, como por exemplo o SPRINT (já descrito neste grupo), os quais alegaram que reduções de PA mais intensas estão associados à menores riscos cardiovasculares. Desta forma, esta nova diretriz preconiza como metas terapêuticas, independente da idade:
 
Hipertensos estágios 1 e 2, com risco CV baixo e moderado e HA estágio 3: <140/90 mmHg (IA)
 
Hipertensos com risco CV alto: <130/80 mmHg (IA; exceto na população com DM: IIbB)
 
Outras modificações também foram realizadas. Sendo assim, aconselho a leitura desta nova diretriz:
 
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