Mudança de Decúbito

Os pacientes hospitalizados em Unidade de Terapia Intensiva normalmente estão em estado grave de saúde ou são considerados potencialmente graves, necessitando de cuidados especiais da equipe de enfermagem direcionados ao seu problema e evitando surgimento de complicações que venha a comprometer o estado geral do mesmo. Para oferecer uma assistência de qualidade e que atenda as necessidades especificas de cada paciente os profissionais de saúde buscam especializar-se cada vez mais no intuito de aumentar a sobrevida destes pacientes e beneficiando a sua reintegração na sociedade.

A Unidade de Terapia Intensiva presta assistência a pacientes potencialmente recuperáveis, porém que necessitam de supervisão constante e que podem ser submetidos a técnicas especializadas desenvolvida por profissionais qualificados. O estado geral do paciente, a necessidade do uso de aparelhos e a presença de diversos artefatos terapêuticos propiciam a ocorrência de complicações nos mesmos, já que o paciente permanece longo período no leito e normalmente não conseguem realizar movimentos .

Devido à exposição de inúmeros fatores de risco, pacientes hospitalizados em Unidade de Terapia Intensiva apresentam maior predisposição a complicações como o surgimento de lesão por pressão. Inúmeros fatores podem propiciar o desenvolvimento de lesão por pressão em pacientes hospitalizados, sendo a pressão considerada o principal causador desta complicação. Os fatores de risco para lesão por pressão estão divididos em intrínsecos e extrínsecos. Os fatores intrínsecos são considerados inerentes ao indivíduo e estão relacionados ao estado físico do paciente, como imobilidade ou mobilidade diminuída, déficit sensorial, perfusão tissular diminuída, idade avançada, desidratação e desnutrição, anemia e infecção. Os fatores extrínsecos estão relacionados ao mecanismo de lesão e independem do individuo, englobam a pressão, umidade, força de cisalhamento e o atrito. A lesão por pressão é qualquer lesão cutânea ou de partes moles, podendo ser superficial ou profunda, de etiologia isquêmica causada por pressão, cisalhamento ou fricção que resulta em morte tecidual.

São consideradas feridas crônicas e ocorrem em áreas de proeminências ósseas como sacro, ísquio, trocânter, calcâneo, região occipital, dorso do pé, maléolo e patela. Essas lesões podem se desenvolver em 24 horas ou levar até 5 dias para se manifestar.

As lesões por pressão podem desencadear conseqüências sérias, sendo um problema tanto para o paciente como para a instituição hospitalar. Os pacientes hospitalizados acometidos por úlcera por pressão podem ter o tempo de internação aumentado, afastar-se do convívio familiar, aumento dos custos hospitalares, além de diversas outras complicações.

A prevenção da lesão por pressão deve envolver não só a equipe de enfermagem, mas todos os profissionais que atuam direto ou indiretamente com o cuidado ao paciente, tendo estes profissionais que possuírem o conhecimento das causas e fatores de risco para o desenvolvimento desta complicação permitindo a implementação de medidas preventivas eficazes. Sendo a úlcera por pressão uma conseqüência de múltiplos fatores, os profissionais de saúde que prestam assistência ao paciente devem conhecer todos esses fatores e buscar preveni-los, beneficiando não só o paciente e seus familiares como também toda a equipe de saúde.

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A massagem é uma opção para a prevenção de escaras, pois ativa a circulação sangüínea local. No entanto, esta técnica somente deve ser aplicada na fase inicial, enquanto não houver lesões abertas na pele. Os indivíduos que não conseguem se mover devem ser mudados de posição freqüentemente; a recomendação usual é a mudança de posição a cada 2 horas e a manutenção da pele limpa e seca. Os indivíduos que passam muito tempo ao leito podem utilizar colchões especiais (colchão piramidal).

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Tratamento

O tratamento de uma úlcera de decúbito é muito mais difícil que a sua prevenção. Felizmente, nos estágios iniciais, as úlceras de decúbito geralmente cicatrizam por si após a pressão ser removida. Quando a pele se rompe, a proteção da mesma com um curativo de gaze pode ajudar na cicatrização (Dersani). Quando a úlcera parece estar infectada ou é exsudativa, a lavagem delicada com sabão ou o uso de desinfetantes pode remover o material morto e infectado. No entanto, uma lavagem muito enérgica retarda a cicatrização. Algumas vezes, em casos mais graves, o médico precisa remover (debridar) o material morto prevenindo a disseminação de infecções. As úlceras de decúbito profundas são de difícil tratamento e algumas vezes, elas exigem o transplante de pele saudável para a zona lesada. Infelizmente, esse tipo de cirurgia nem sempre é possível, sobretudo nos indivíduos idosos, frágeis e desnutridos. Freqüentemente, quando ocorrem infecções mais profundas em uma úlcera, antibióticos são administrados. Quando os ossos localizados abaixo de uma úlcera são infectados, a osteomielite (infecção óssea) é extremamente difícil de ser curada e pode disseminar-se através da corrente sangüínea, exigindo muitas semanas de tratamento com um antibiótico.

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Posição totalmente deitada (decúbito dorsal): A permanência prolongada nesta posição poderá facilitar o aparecimento de escaras. Procurar mudar o paciente de posição várias vezes ao dia (recomenda-se no mínimo de 2 em 2 horas).

Posição lateral: Observar na figura os pontos expostos ao aparecimento de escaras. Pode ser útil colocar um travesseiro na cabeça e outro menor entre as pernas, para atenuar o atrito causado pelo peso de uma perna sobre a outra. Posição sentada: Usar uma almofada de espuma ou de outro material macio. As costas e os pés também deverão ter algum acolchoado. Um banco com espuma para os pés também pode ser útil.

Posição de Fowler (sentado meio inclinado): Na posição Fowler, os travesseiros, acolchoados ou almofadas também serão muito úteis.

Lavagem das mãos

As mãos devem estar sempre limpas, pois existem milhões de bactérias e micróbios que podem se esconder embaixo das unhas, mesmo depois de tê-las lavado com bastante água. A forma descrita abaixo é a mais eficiente para eliminar grande parte dos germes. Se não for possível fazer exatamente deste jeito em todas as ocasiões, seguir estas instruções principalmente na hora de preparar as refeições e fazer curativos.

Como lavar as mãos:

• Usar sabonete ou o próprio sabão de lavar roupas e esfregar as mãos por um minuto; enxaguá-las, tirando todo o sabão desta primeira lavada.

• Tornar a passar o sabão e, desta vez, concentrar-se nos dedos e unhas. Procurar lavar dedo por dedo de todos os lados.

• Pode ser feito o uso de uma espátula de unha, para limpar embaixo de cada uma delas.

• Enxaguar as mãos e a torneira.

• A torneira deve ser fechada com um papel toalha, para que não haja nova contaminação das mãos.

•Após fechar a torneira, secar as mãos com uma toalha bem limpa. Como fazer um curativo de escara

1 – Lavar muito bem as mãos.

2 – Fazer uso de luvas;

3 – Retirar o curativo com cuidado para que ele não encoste na ferida e lave novamente as mãos.

4 – Lavar bem a lesão com soro fisiológico.

5- Com gaze estéril limpar ao redor da ferida, sem encostar na lesão.

6 – Cobrir a ferida, sem apertar, com outras gazes e esparadrapo.

7 – Lavar as mãos novamente.

Atenção às refeições

A dor desestimula o apetite.
Portanto, o paciente deve estar medicado com analgésicos prescritos pelo médico para que a dor não dificulte a alimentação. Estimular o paciente, sempre que isso for possível, a fazer suas refeições sozinho; mesmo que no começo ele faça muito lentamente.

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