Insulina

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O termo insulina é muito conhecido pelas pessoas, estando associado à diabetes. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e é importante por permitir que a glicose entre nas células e seja transformada em energia para o corpo.

Os portadores de diabetes fazem uso da insulina por não a produzirem de modo suficiente ou pelo corpo não a usar da forma correta; também é possível que o seu uso seja necessário em ambos os casos.

Tipos de Insulina

A insulina regular é uma insulina rápida e tem coloração transparente. Após ser aplicada, seu início de ação acontece entre meia e uma hora, e seu efeito máximo se dá entre duas a três horas após a aplicação.

A Insulina NPH é uma insulina intermediária e tem coloração leitosa. A sigla NPH que dizer Neutral Protamine Hagedorn, sendo Hagedorn o sobrenome de um dos seus criadores e Protamina o nome da substância que é adicionada à insulina para retardar seu tempo de ação. Após ser aplicada, seu início de ação acontece entre duas e quatro horas, seu efeito máximo se dá entre quatro a 10 horas e a sua duração é de 10 a 18 horas.

Há alguns anos vem sendo desenvolvido pelas indústrias farmacêuticas um tipo especial de insulina, chamado análogo de insulina. Estes análogos são moléculas modificadas da insulina que o nosso corpo naturalmente produz, e podem ter ação ultrarrápida ou ação lenta. Existem alguns tipos de análogos ultrarrápidos disponíveis no mercado brasileiro, são eles: Asparte, Lispro e Glulisina. Após serem aplicados, seu início de ação acontece de cinco a 15 minutos e seu efeito máximo se dá entre meia e duas horas.

Entre os análogos de insulina, são encontrados também dois tipos de ação longa: Glargina e Detemir. A insulina análoga Glargina tem um início de ação entre duas a quatro horas após ser aplicada, não apresenta pico de ação máxima e funciona por 20 a 24 horas. Já o análogo Detemir tem um início de ação entre uma a três horas, pico de ação entre seis a oito horas e duração de 18 a 22 horas.

Existe ainda um tipo de insulina chamado de pré-mistura, que consiste de preparados especiais que combinam diferentes tipos de insulina em várias proporções. Podem ser 90:10, ou seja 90% de insulina lenta ou intermediária e 10% de insulina rápida ou ultrarrápida. Eles também pode ter outras proporções, como 50:50 e 70:30.

Escolha da Seringa:

A escolha da seringa deve ser feita de acordo com a dose (quantidade) de insulina recomendada pelo médico:

1. Seringas com capacidade para 100 unidades de insulina: para quem utiliza quantidades superiores a 50 unidades por aplicação;

2. Seringas com capacidade para até 50 unidades de insulina: é a mais adequada para quem utiliza quantidades inferiores a 50 unidades por aplicação;

3. Seringas com capacidade para até 30 unidades de insulina: é a melhor opção para quem utiliza quantidades inferiores a 30 unidades por aplicação.

As seringas têm escala de graduação em unidades, acompanhando a concentração da insulina que também é em unidades (U-100):

a) Seringas com graduação de 2 em 2 unidades, ou seja, cada traço (linha) corresponde a 2 unidades

b) Seringas com graduação de 1 em 1 unidade, ou seja, cada traço corresponde a 1 unidade.

Tipos de Seringa:

Com Agulha Removível (não fixa no corpo da seringa): apresenta um espaço morto, podendo reter até 5UI de insulina, que não é computada na escala numérica nem administrada ao paciente, ocorrendo, a cada aplicação, desperdício destas unidades. Esta seringa não pode ser utilizada na mistura de dois tipos de insulina na mesma seringa, pois ocorrerá erro na dosagem. De acordo com a técnica de mistura, ocorrerá uma superdosagem da insulina rápida ou ultra-rápida (aproximadamente 5 UI) e, consequentemente, 5 UI a menos de insulina NPH. Neste caso, a opção é realizar duas aplicações. Apresentação em tamanho de 12,7 mm.

Com Agulha Fixa (fixa no corpo da seringa): tem apresentação com capacidade diferenciada, isto é, 30 unidades, 50 unidades e 100 unidades para prescrição de até 30, 50 e 100 unidades por aplicação, respectivamente. Lembrando que, nas duas primeiras, a graduação da escala é de 1 em 1 unidade e que, na última, é de 2 em 2 unidades. Nestas apresentações aumentam as opções em tamanho de agulhas: 12,7 x 0,33 mm, 8 x 0,30 mm e 6 x 0,25 mm.

Tamanho da agulha para seringas

A insulina deve ser aplicada com pequenas agulhas para chegar somente até o tecido subcutâneo.

Escolha do tamanho das agulhas

Crianças e adolescentes

Canetas: agulhas de 4, 5 ou 6 mm

  • Agulhas de 4 mm: aplicar com ângulo de 90 graus, sem prega cutânea.
  • Agulhas de 5 mm: aplicar com ângulo de 90 graus, sem prega cutânea.
  • Agulha de 6 mm: Aplicar com ângulo de 90 graus com prega cutânea.

Seringas: agulhas de 6 ou 8 mm

  • Agulha de 6mm: Aplicar com ângulo de 90 graus e prega cutânea.
  • Agulha de 8mm: Aplicar com ângulo de 45 graus e prega cutânea.

Adultos

Agulhas de 4, 5, 6 ou 8 mm podem ser usadas por qualquer adulto, incluindo os obesos.

Canetas

Agulhas: 4, 5, 6 ou 8 mm

  • Agulhas 4 e 5 mm: fazer ângulo de 90 graus sem prega cutânea.
  • Agulhas de 6 mm: fazer ângulo de 90 graus sem prega cutânea (se muito magro, fazer ângulo de 90 graus com prega cutânea).
  • Agulhas de 8 mm: fazer ângulo de 90 graus com prega cutânea.

Seringas: agulhas de 8 mm

  • Fazer ângulo de 45 graus com prega cutânea.

Observação: Agulhas de 12,7 mm não devem ser utilizadas.

Atletas

Canetas: agulhas de 4, 5 ou 6 mm

  • Fazer ângulo de 90 graus com prega cutânea

Seringas: agulhas de 8 mm

  • Fazer ângulo de 45 graus com prega cutânea

Gestantes

Canetas: agulhas de 4, 5 ou 6 mm

  • Fazer ângulo de 90 graus com prega cutânea.

Seringas: agulha de 8 mm

  • Fazer ângulo de 45 graus com prega cutânea.

Técnica de Administração de Insulina ao Técnico de Enfermagem:

Material Necessário: Seringa e Agulha, algodão, álcool 70% e medicamento (insulina conforme a prescrição médica)
Procedimento:

– Lavar as mãos;
– Explicar o procedimento ao paciente;
– Retirar o frasco de insulina da geladeira 10 a 20 minutos antes da aplicação;
– Rolar o frasco entre as mãos sem agitar com no mínimo 20 movimentos;
– Realizar a assepsia do frasco com algodão embebido em álcool 70%;
– Aspirar a quantidade de ar na seringa;
– Injetar o ar dentro do frasco para melhor retirada da insulina;
– Virar o frasco e a seringa para baixo, aspirando a quantidade de unidades conforme a prescrição médica;
– Retirar o ar que esteja presente na seringa;
– Selecionar a área de aplicação, tendo os cuidados mencionados anteriormente no rodízio de áreas para aplicação;
– Fazer assepsia da área com algodão;
– Fazer prega na pele e introduzir a seringa em ângulo de 90º e após soltar a prega;
– Administrar a quantidade de insulina que consta na seringa;
– Retirar a seringa e após fazer uma leve compressão com algodão e álcool 70%;
– Organizar o material utilizado;
– Lavar as mãos e registrar no prontuário.

Notas complementares

1 – Ao encontrar presença de sangue na aplicação da insulina, seguir o seguinte: sangue em pequena quantidade, continuar a administração, sangue em grande quantidade, interromper a administração e preparar nova dose de insulina (Ministério da Saúde).
2 – O tamanho da agulha é avaliado pelo profissional segundo o tipo físico do paciente.
3 – A prega cutânea deve ser feita antes da introdução da agulha e soltando antes da introdução da insulina.
4 – O ângulo de aplicação deverá ser de 90°C, entretanto caso a agulha seja maior que a indicada em alguns pacientes magros e crianças é necessário uma avaliação e utilização de ângulos de 45 ou 60°C (Associação Americana dos Diabéticos, 2004).
5 – A aspiração após a introdução da agulha não é necessária quando se está utilizando os instrumentos corretos (Associação Americana dos Diabéticos, 2004).
6 – O reuso das agulhas e seringas em serviços hospitalares públicos e privados é proibido pela Divisão de Medicamentos no Brasil (DIMED), por meio da Portaria nº 3 de 07/02/86, incluindo a utilização do material no mesmo paciente.

8 – O reuso das agulhas e seringas pelos pacientes diabéticos que fazem insulinoterapia em casa é controverso na literatura, uma vez que alguns autores trazem a reutilização como uma forma de complicação que pode ocasionar lesão local por infecção, sendo isso para um diabético um problema relevante. Por outro lado, o Ministério da Saúde (2006) considera como adequada a reutilização por até oito aplicações sempre pela mesma pessoa, mantendo-se os seguintes cuidados: a seringa deve ser retampada e guardada em temperatura ambiente ou sob refrigeração (gaveta ou porta da geladeira), ainda considerar que o paciente deve estar com ausência de feridas abertas nas mãos e livre de infecções de pele nos locais da aplicação; o diabético deve ter destreza manual, ausência de tremores e boa acuidade visual, sendo capaz de reencapar a agulha com segurança.A limpeza da agulha não deve ser feita com álcool, porque é capaz de remover o silicone que a reveste, tornando a aplicação mais dolorosa. As seringas reutilizadas devem ser descartadas quando a agulha se torna romba, curva ou entra em contato com alguma superfície diferente da pele e logo que a aplicação se torne muito mais dolorosa. É importante salientar que esta reutilização é empregada apenas aos pacientes que fazem uso de insulina domiciliar, nunca em hospitais.

9 – O paciente deve sempre ser orientado sobre o descarte do material perfurocortante em recipiente apropriado.
10 – Algumas insulinas podem ser prescritas e administradas conjuntamente no paciente, entretanto, é importante que o profissional de enfermagem tenha conhecimento de quais podem ser misturadas para a aplicação na mesma seringa, conforme consta abaixo:

– Mistura de NPH + Regular: pode ser feita e utilizada imediatamente ou armazenada em refrigerador para uso em 30 dias.
– Mistura de NPH + Ultrarrápida: pode ser feita e deverá ser utilizada imediatamente após o preparo.
– Mistura de Regular + Lenta: não tem indicação.
– Glargina ou Detemir + qualquer tipo de insulina: não pode ser misturada devido ao Ph baixo do diluente.

Nos casos em que houver a mistura das insulinas seguindo as orientações anteriores, a técnica é a mesma da citada na administração da insulina, incluindo:

– Primeiramente aspira-se a quantidade de ar que consiste as unidades de insulina NPH e injeta-se o ar dentro de frasco de insulina NPH;
– Após o mesmo procedimento com a insulina regular, já aspirando a quantidade de insulina para a seringa;
– Por último aspira-se a quantidade de insulina NPH, sendo que o ar já foi injetado anteriormente.

Na hipótese de se aspirar quantidades superiores às prescritas, de forma alguma recolocar as insulinas nos frascos. Desprezar e realizar o procedimento novamente.

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