Drogas usadas em UTI

A terapia medicamentosa para paciente em estado crítico é diversificada e complexa.Rotineiramente são utilizadas drogas que alteram as funções vitais, acarretando instabilidade hemodinâmica.

Por isso, os controles da velocidade de infusão dos fluídos e drogas devem ser rigorosos, ainda que alterados inúmeras vezes, dependendo da resposta clínica do paciente. Para garantir a eficácia dessas normas preestabelecidas é indispensável o uso de bomba de infusão (BI).

Igualmente, drogas utilizadas em “bolus” ou “flash”, isto é, medicamentos administrados diretamente no dispositivos de acesso venoso necessitam de soro fisiológico a 0,9% em seguida para que a medicação alcance mais rapidamente a corrente sanguínea. Contudo, há protocolos variados que dependerão da instituição hospitalar.

O conhecimento e o domínio sobre as principais drogas utilizadas nas situações de urgência e emergência são fundamentais para o técnico de enfermagem que presta cuidados aos pacientes em estado crítico.

Adenosina – Antiarritmico

Indicação: taquiarritmia supraventricular.

Ação: age na excitabilidade e na condutividade de estímulo elétrico.

Efeitos colaterais: dor torácica, rush fácial, cefaléia

Amiodarona (Ancoron) – Antiarrítmico

Indicação: arritmias supraventriculares e ventriculares.

Ação: Age na excitabilidade e na condutividade do estímulo elétrico.

Efeitos colaterais: bradicardia, pigmentação violácia.

Alteplase – Trombolítico.

Indicação: tromboembolia pulmonar, IAM.

Ação: Dissolução do trombo em casos de obstrução de vasos sanguíneos.

Efeitos colaterais: arritmias, sangramento, hipotensão.

Atropina – Agente que atua no sistema parassimpático.

Indicação: bradicardia.

Ação: age aumentando a condução do estímulo elétrico e consequentemente  a frequência cardíaca.

Efeitos colaterais: calor, rubor, taquicardia, palpitações.

Bicarbonato de sódio – solução alcalina

Indicação: correção da acidose metabólica.

Ação: neutraliza o meio ácido.

Efeitos colaterais: em excesso pode causar alcalose metabólica.

Clopidogrel – antiagregante plaquetário

Indicação: redução de eventos ateroesclerose.

Ação: inibi a formação da agregação das plaquetas.

Efeitos colaterais: sangramento.

Dexametasona – corticóide

Indicação: diminui o processo inflamatório através da retirada no líquido intracelular.

Efeitos colaterais: retenção de sódio, hipertensão, aumento de peso

Diazepan – benzodiazepínico

Indicação: sedação, crise convulsiva, miorrelaxante e ansiolítico.

Ação: age no SNC (Sistema Nervoso Central)

Efeitos colaterais: dependência química, ataxia, diplopia, tontura, amnésia e ginecomastia em uso prolongado.

Diltiazen – anti-hipertensivo

Indicação: hipertensão.

Ação: atua nos canais de cálcio.

Efeitos colaterais: hipotensão, arritmias.

Dobutamina – cardiotônico não digitálico

Ação: correção do desequilíbrio hemodinâmico.

Ação: estimula os receptores beta adrenérgico do músculo cardíaco aumentando a força de contração.

Efeitos colaterais: aumento da frequência cardíaca.

Dopamina – droga vasoativa inotrópica e cronotrópica.

Indicação: correção do desequilíbrio hemodinâmico.

Ação: aumenta o fluxo cardíaco e a pressão arterial.

Efeitos colaterais: taquiarritmia.

Epinefrina – droga vasoativa

Indicação: reanimação cardiopulmonar, reações anafiláticas e asma.

Ação: vasoconstrição periférica.

Efeitos colaterais: diminuição do débito urinário, visão turva, fotofobia.

Estreptoquinase – trombolítico

Indicação: tromboembolia pulmonar e IAM.

Ação: dissolução dos trombos em casos de obstrução de vasos sanguíneos.

Efeitos colaterais: efeitos colaterais: arritmias, sangramento, hipotenção.

Fenitoína – anticonvulsivante

Indicação: prevenção de convulsões.

Ação: age no córtex motor inibindo a propagação da crise.

Efeitos colaterais: ataxia, nistagmo, diplopia, depleção de ácido fólico.

Lidocaína – anestésico local, antiarritmico

Indicação: arritmias cardíacas.

Ação: age no sistema de condução elétrica do coração.

Efeitos colaterais: confusão mental, alteração de comportamento.

Manitol – diurético osmótico

Indicação: edema cerebral.

Ação: age diminuindo o edema por diferença de concentração.

Efeitos colaterais: desidratação, cefaléia, náuseas e vômitos.

Midazolan (Dormonid) – benzodiazepínicos

Indicação: sedação, crise convulsiva, miorrelaxante e ansiolítico.

Ação: age no SNC.

Efeitos colaterais: dependência química, ataxia, diplopia, tontura, amnésia.

Nitratos e nitroglicerina – vasodilatador coronariano

Indicação: angina instável e estável.

Ação: vasodilatador arterial diminuindo o consumo de oxigênio.

Efeitos colaterais: hipotensão e síncope.

Nitroprussiato de Sódio – vasodilatador arterial e venoso

Indicação: emergências hipertensivas.

Ação: vasodilatador arterial e venoso.

Efeitos colaterais: hipotensão.

Noradrenalina – droga vasopressora

Indicação: choque séptico, situações de baixa resistência periférica.

Ação: age melhorando a resistência vascular periférica, podendo diminuir o débito cardíaco.

Efeitos colaterais: cianose de extremidades, hipoperfusão renal, mesentérica e hepática. 

Sulfato de Magnésio (MgSO4) – eletrólito

Indicação: pré-eclampsia, “torsades de pointes”

Ação: conversão do rtimo cardíaco.

Efeitos colaterais: redução da frequência cardíaca e respiratória, hipotonia, hipotensão transitória.

Tirofiban – trombolítico

Indicação: TEP, IAM e TVP.

Ação: dissolução dos trombos em casos de obstrução de vasos sanguíneos.

Efeitos colaterais: arritmias, sangramentos, hipotensão.

Tramadol – hipnoanalgésico

Indicação: analgesia.

Ação: atua nos receptores localizados no tálamo, hipotálamo e sistema límbico.

Efeitos colaterais: depressão do SNC e respiratório, constipação, náuseas e vômitos.

Cuidados para Administração das Drogas

  • Estabelecer critérios para diluição das drogas através de protocolos institucuionais;
  • Observar o aspecto da solução antes e durante a administração;
  • Conhecer a ação, estabilidade e a interação medicamentosa das drogas;
  • Administrar as drogas em Bombas de Infusão (BI);
  • Observar incompatibilidade medicamentosa;
  • Realizar preparo prévio da droga antes do término da infusão da droga atual;
  • Calcular a dosagem das drogas em mcg/kg/min;
  • Controlar rigorosamente a velocidade de infusão das drogas;
  • Conhecer quais drogas são fotossensíveis;
  • Conhecer quais drogas aderem ou são absorvidas pelo plástico (neste caso utilizar frascos de vidro ou polietileno e equipo de polietileno);
  • Ter o peso do paciente atualizado;
  • Observar sinais de desidratação antes de iniciar a infusão da droga.

Quanto aos sinais vitais

  • Observar e comunicar sobre variações dos sinais vitais do paciente por meio de aferição e monitorização contínua;
  • Observar e comunicar alterações do traçado eletrocardiográfico;
  • Realizar leitura de PVC a cada hora ou conforme a prescrição de enfermagem.

Quanto ao débito urinario

  • Controlar volume urinário e observar aspecto a cada hora ou conforme prescrição de enfermagem;
  • Controlar variações da função renal através da diminuição ou aumento do débito urinário, acompanhamento dos valores de ureia, creatinina e clearence de creatinina;
  • Realizar rigoroso controle hídrico;
  • Realizar balanço hídrico.

Quanto à perfusão de extremidades

  • Acompanhar variações de pulso e perfusão periférica;
  • Manter extremidades protegidas das perdas de calor;
  • Observar para não garrotear membros;
  • Realizar rodízio de manguito de pressão arterial;
  • Avaliar preenchimento capilar.

Quanto ao dispositivo venoso

  • Administrar a droga de preferência por cateter venoso central, se possível em via exclusiva ou menos manipulada;
  • Lavar a via do cateter com menor volume possível;
  • Restringir número de extensões e dispositivos na via da droga;
  • Manter dispositivo venoso pérvio;
  • Dar preferência para punções de veias calibrosas como veia cefálica ou basílica, se acesso venoso periférico;
  • Não administrar outras medicações in bolus pela via utilizada para a infusão da droga;
  • Observar presença de infiltração e sinais de hiperemia local.
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