Centro Cirúrgico

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O CENTRO CIRÚRGICO é o conjunto de áreas e instalações que permitem efetuar a cirurgia nas melhores condições de segurança para o paciente , e de conforto para a equipe de saúde.

No contexto hospitalar é o setor mais importante pela decisiva ação curativa da cirurgia, exigindo, assim detalhes minuciosos em sua construção para assegurar a execução de técnicas assépticas , instalação de equipamentos específicos que facilitem o ato cirúrgico.

Os profissionais que atuam no Centro Cirúrgico são: as equipes médicas (cirúrgica e anestesiologia), de enfermagem, administrativa e de higiene, que têm como objetivo assistir adequadamente às necessidades do paciente. É de extrema importância que seus componentes atuem de forma harmônica e integrada para a segurança do paciente e a eficiência do ato cirúrgico. É importante ainda que as boas relações humanas e o profissionalismo sempre prevaleçam sobre as tensões, inevitáveis nesse tipo de trabalho.

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Em uma equipe, todos os seus membros têm suas responsabilidades e funções definidas, assim como devem ser habilitados para as atividades que desempenham. As funções do enfermeiro coordenador, do enfermeiro assistencial, dos técnicos de enfermagem, dos auxiliares de enfermagem e auxiliares e dos auxiliares administrativos, devem estar devidamente descritas.

Para o enfermeiro ter condições de prestar assistência ao paciente na sala de cirurgia, como: monitorização, ações de segurança para evitar queda, auxiliar o anestesiologista durante a indução anestésica, juntamente com a equipe cirúrgica posicioná-lo na mesa de cirúrgica colocando os coxins para conforto, e outras ações específicas, é necessário que haja pelo menos 1 enfermeiro assistencial para cada 4 salas de cirurgia, além do enfermeiro gerente (coordenador) que é responsável pelas ações administrativas.

EQUIPES QUE ATUAM NO CENTRO CIRÚRGICO:

Equipe de anestesia

É composta de médicos anestesiologistas. Compete ao anestesiologista avaliar o paciente no pré-operatório, prescrever a medicação pré-anestésica, planejar e executar a assistência pré-operatória, controlando as condições clínicas deste durante o ato anestésico.

Após a cirurgia, é de sua responsabilidade assistir o paciente na sala de recuperação pós-anestésica.

Equipe cirúrgica

Compõe-se de cirurgião, cirurgião assistente e instrumentador cirúrgico, sendo que este último pode ou não ser médico. Em hospital-escola, na maioria das vezes, essa função é desempenhada por estudantes.

Cirurgião: é da competência do cirurgião planejar e executar o ato cirúrgico, comandar e manter a ordem no campo operatório;

Cirurgião assistente: ao primeiro assistente compete auxiliar o cirurgião no desenvolvimento do ato cirúrgico e substituí-lo caso se faça necessário. Em cirurgias de grande porte, torna-se indispensável à presença de um segundo assistente.

Instrumentador cirúrgico: é o integrante da equipe que se responsabiliza por:

  • Verificar os materiais e equipamentos necessários a ao ato cirúrgico;
  •  Preparar a mesa com os instrumentais e outros materiais necessários à cirurgia;
  • Ajudar na colocação dos campos operatórios;
  • Fornecer materiais e instrumentais ao cirurgião e assistente, solicitando-os, sempre que necessário ao circulante de sala, devendo para isso estar atento aos tempos cirúrgicos;
  • Observar e controla para que nenhum instrumental permaneça no campo operatório;
  • Zelar para a manutenção da mesa, conservando limpos os instrumentais durante o ato cirúrgico, bem como protegendo-a para evitar contaminação.

Em algumas instituições o instrumentador faz parte da equipe de enfermagem. Nesta situação deve prever os materiais necessários à cirurgia, separá-los após o uso, lavá-los e refazer a caixa de instrumentais, zelando pela conservação de tais materiais.

Equipe de enfermagem

É composta de enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem.

-Enfermeiro chefe

É de sua competência:

  • Organizar e prover a unidade de recursos materiais e humanos, e manter o ambiente em boas condições de funcionamento;
  • Planejar as ações assistenciais e administrativas do Centro Cirúrgico, norteando-se pelo regulamento interno;
  • Gerenciar as ações planejadas através de metodologia científica e humanística, para eficiência no atendimento ao paciente;
  • Controlar a quantidade e a qualidade de recursos humanos, bem como a qualidade da assistência prestada;
  •  Supervisionar e avaliar o desempenho do pessoal que está sob sua responsabilidade;
  •  Opinar sobre a qualidade e quantidade de recursos materiais, possibilitando maior acerto na aquisição destes;
  • Planejar, executar e avaliar programas de educação continuada aos componentes da equipe de enfermagem;
  •  Elaborar as escalas de folga e de férias dos componentes da equipe de enfermagem, procurando atender as suas solicitações;
  •  Manter um bom relacionamento com os componentes da equipe cirúrgica e de anestesia, visando à assistência ao paciente;
  • Manter integração com os enfermeiros das unidades de internação, chefias dos departamentos e setores do hospital e outros serviços extra-hospitalares;
  • Colaborar no desenvolvimento do ensino, atualização e pesquisas realizadas;
  • Elaborar e atualizar o regulamento interno e manual de procedimentos;
  • Apresentar relatórios mensal e anual sobre as atividades realizadas no Centro Cirúrgico.

Enfermeiro assistencial

Compete-lhe:

  • Receber o plantão e tomar as providências necessárias relativas às atividades administrativas e assistenciais;
  • Providenciar o transporte do paciente para o centro cirúrgico;
  • Receber o paciente, avaliando suas condições físicas e emocionais e procurando atender aos problemas identificados;
  • Coordenar as atividades assistenciais prestadas pelos componentes da equipe de enfermagem;
  • Controlar, diariamente, os gastos de psicotrópicos;
  • Elaborar o programa ou mapa operatório para o dia seguinte, com base nos pedidos de cirurgia recebidos;
  • Supervisionar a limpeza diária e semanal da sala de cirurgia e demais elementos da planta física do Centro Cirúrgico;
  • Realizar a visita pré-operatória.

O enfermeiro deve ainda tomar medidas para evitar a infecção da ferida operatória, devendo supervisionar ações referentes ao paciente, aos componentes das equipes que atuam no Centro Cirúrgico, material esterilizado, instrumentais e equipamentos. São elas:

  • Avaliar o preparo físico realizado no pré-operatório;
  • Certificar-se da incidência da infecção de ferida operatória;
  • Exigir o uso correto do uso correto da roupa privativa do Centro Cirúrgico de todos os profissionais e pessoas que venham da área externa;
  • Controlar o número de pessoas na sala durante o ato cirúrgico, bem como o trânsito desnecessário da mesma;
  • Propiciar exame médico e laboratorial periódico dos componentes da equipe de enfermagem;
  • Preparar, acondicionar e armazenar o material esterilizado em local apropriado;
  • Realizar testes bacteriológicos nos aparelhos de esterilização;
  • Avaliar periodicamente as condições de uso dos instrumentais e equipamentos; Fazer pesquisa bacteriológica no ambiente, bem como avaliar a qualidade dos produtos químicos usados na limpeza e desinfecção;
  • Desenvolver trabalho conjunto com a CCIH

Técnico e Auxiliar de enfermagem

  • Auxiliar o enfermeiro, sempre que necessário;
  • Verificar o estado de conservação e funcionamento dos aparelhos e equipamentos, solicitando conserto e troca imediatos. Verificar a temperatura e iluminação da SO;
  • Controlar o estoque de material esterilizado e as respectivas datas de esterilização;
  • Responsabilizar-se pela identificação e encaminhamento das peças cirúrgicas aos laboratórios especializados;
  • Exercer as atribuições de circulante de sala;
  • Prover a sala de operação com recursos adequados às necessidades do cliente a segundo as especificidades de cada intervenção anestésico-cirúrgica;
  • Montar a sala de operação;
  • Auxiliar o cliente no transporte da maca para a mesa de cirurgia e vice-versa, assim como no seu posicionamento, procurando manter sua privacidade e permeabilidade de cateteres e sondas;
  • Participar dos treinamentos e programas de atualização fornecidos pela instituição;
  • Desenvolver procedimentos técnicos como sondagem vesical, punção venosa, na ausência do enfermeiro;
  • Observar o bom funcionamento do sistema de gases;
  • Estar atento para a placa dispersiva de energia do eletrocautério;
  • Auxiliar na paramentação da equipe cirúrgica, e atentar para a técnica asséptica na abertura dos materiais estéreis;
  • Auxiliar o anestesiologista na indução e reversão do procedimento anestésico;
  • EM situações emergenciais ou imprevistas solicitar a presença do enfermeiro;
  • Realizar o controle de débito de materiais utilizados na SO;
  • Encaminhar o paciente para a unidade de origem tomando os cuidados pertinentes com drenos, sondas ou cateteres;
  • Realizar o registro de todas as informações no prontuário ou impresso padronizado pela instituição;
  • Ao término do procedimento cirúrgico proceder à desmontagem da SO e encaminhar os materiais contaminados ao CME.

Escriturário

-Registrar os pedidos de cirurgia;

-Digitar diariamente o programa de cirurgia e encaminhá-lo as diferentes unidades de internação;

-Responsabilizar-se pela estatística diária das cirurgias realizadas e não realizadas;

-Executar outras atividades burocráticas segundo rotina da instituição;

Serviço de Limpeza

-Executar a limpeza na sala de cirurgia e demais elementos da planta física da unidade, de acordo com as normas estabelecidas pela comissão de controle de infecção hospitalar.

Limpeza em centro cirúrgico

A limpeza é fundamental em qualquer ambiente, sendo sua função primordial controlar a proliferação de microrganismos. A implementação de práticas de limpeza, assegura o cumprimento de técnicas de barreira e controle de infecções hospitalares.

A proteção individual dos profissionais deve ser garantida pelo uso de proteção individual (epi), como por exemplo, luvas, máscaras ou protetor facial, sapatos fechados ou botas e uniforme privativo. Além disso, a lavagem das mãos é obrigatória antes e após o uso de epis.

A descontaminação do local, onde houve extravasamento de matéria orgânica, precisa ser realizada antes de iniciar a limpeza. A água, o desinfetante ou outro recurso que são essenciais neste processo, após o uso, devem, ser desprezados para evitar o reaproveitamento em outro ambiente. Associados a esses recursos e técnicas, a aquisição de insumos (carro de limpeza equipado ), facilita e organiza o trabalho, proporcionando maior rentabilidade e conforto ao funcionário.

Limpeza de área restrita – CC

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  • Limpeza terminal – após o término do último procedimento, iniciando da parte mais limpa para a parte mais suja. o funcionário da enfermagem é o responsável pela limpeza do mobiliário, foco, equipamentos de anestesia e mesa de cirurgia. EPIs adequados. É proibido o uso de vassouras
  • Limpeza preparatória – antes do início da montagem da sala da primeira cirurgia do dia a fim de remover partículas de poeira dos mobiliários. Utilizar álcool a 70%. Realizada pelo funcionário da enfermagem.
  • Limpeza operatória –  durante o procedimento cirúrgico quando ocorrer contaminação do chão com  matéria orgânica ou resíduos
  •  Responsável: funcionário da enfermagem, utilizando uma pinça ou mãos enluvadas.
  • Limpeza concorrente – realizada entre uma e outra cirurgia para remoção de sujidades e matéria orgânica presentes nos instrumentais e acessórios.
  • Procedimentos infectados – nessas situações recomenda-se que seja realizada a limpeza com os critérios da limpeza terminal, levando-se em consideração a necessidade ou não da limpeza total das paredes e do teto.
  • Nas situações de precauções de contato ou respiratório, os cuidados começam antes do início da cirurgia. Aconselha-se que a sala tenha o mínimo de material, para evitar o aumento de área onde os microrganismos possam depositar-se durante o ato cirúrgico.

Alguns microrganismos podem resistir em presença de matéria orgânica ressecada por alguns dias:

Microrganismos Tempo de sobrevivência
vírus do hiv
até 3 dias
vírus do hbv
até 1 semana
enterococus
até 7 dias

Precauções padrão

São medidas de proteção que devem ser tomadas por todos os profissionaiss de saúde, quando prestam cuidados aos pacientes ou manuseiam artigos contaminados, independentemente de presença de doença transmissível comprovada.

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Consistem em:

  • Lavagem das mãos antes e após contato com o paciente;
  • Uso de luvas de procedimento retirando-as após prestar assistência;
  • Lavar as mãos após  a retirada das luvas;
  • Uso de avental no contato de sangue e fluídos;
  • Manuseio correto de material perfuro-cortante;
  • Manuseio correto de artigos e roupas contaminadas;
  • Descontaminação de superfícies, ambientes, artigos e equipamentos;
  • Proteção facial (máscara, óculos)

Transporte do paciente

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*O transporte do paciente da Unidade de Internação para o Centro Cirúrgico deve ser feito em maca, provida de colchonete confortável, grades laterais e rodas em perfeitas condições;

*Pode ainda ser usada a cama-berço, dependendo da idade e condições físicas do paciente;

*Em alguns locais fica sob a responsabilidade da Unidade de Internação e, em outros, da Unidade de Centro Cirúrgico.

É fundamental ao transportar observar os seguintes cuidados:

  • Preparar a maca ou cama berço com roupas limpas e do mesmo modo como se prepara a cama de um operado, ou seja, enrolar juntos o lençol superior, o cobertor e a colcha no sentido longitudinal, deixando-os de um dos lados da maca. Acrescer a camisola aberta e a touca para proteger os cabelos do paciente;
  •  Levar a maca à Unidade 40 minutos à 1 hora antes da cirurgia, dependendo do tipo de cirurgia ou da rotina da equipe cirúrgica;
  •  Verificar com o enfermeiro se o paciente já recebeu os cuidados do período pré-operatório imediato e se o prontuário está completo, inclusive com as radiografias. Colocá-los sob o colchão da maca;
  • Conferir a identificação do paciente a partir do “pedido de cirurgia” apresentar-se a ele como funcionário do Centro-Cirúrgico e responsável por transportá-lo para o referido setor;
  • Verificar se foram retirados esmalte, adornos e próteses do paciente, e se este já esvaziou a bexiga, caso não esteja com sonda vesical;
  • Encostar a maca ao leito e entregar-lhe a camisola própria do Centro Cirúrgico, ajudando-o a se vestir se necessário;
  • Ajudá-lo a passar da cama para a maca, colocar-lhe a touca e transportá-lo empurrando a maca ou cama berço pela cabeceira;
  • Entregá-lo aos cuidados do enfermeiro na área de recepção do Centro Cirúrgico.

Recepção do paciente

A recepção é uma das atribuições do enfermeiro, por este ser o profissional capacitado para avaliar-lhe o estado físico e emocional e dar-lhe o devido atendimento. Destacam-se os devidos cuidados:

  • Receber cordialmente na área de recepção, identificando-o e verificando se o prontuário está completo;
  • Verificar as anotações referentes ao período pré-operatório tais como: medicação pré-anestésica, sinais vitais, retirada de próteses, esmalte e adornos, problemas alérgicos, condições físicas e emocionais do paciente;
  • Atualmente, a tricotomia do local onde será realizada a incisão cirúrgica está sendo feita na sala de preparo do Centro-Cirúrgico, minutos antes da indução anestésica, como medida preventiva de infecção;
  • Transportar o paciente diretamente para a sala de cirurgia. A permanência deste no corredor pode aumentar o medo e insegurança do cliente pela escuta de conversas paralelas.
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