Aspiração de Secreções

As Aspirações de Secreções são geralmente usados nos casos mais simples, para resolver as insuficiências respiratórias do tipo obstrutiva por acúmulo de secreções.
A aspiração de secreção do paciente entubado ou traqueostomizado, deve ser quando existir secreção, e não como de rotina. E tendo em mente de que é necessário uma técnica asséptica.
INDICAÇÃO: Presença de secreção em pacientes com cânula endotraqueal ou de traqueostomia.
CONTRA-INDICAÇÕES: Absolutas: bronco espasmo, obstrução. Relativas: Hemorragias, pacientes com tendências a sangramentos.
COMPLICAÇÕES: Traumatismo, hemorragia, infecção por técnica inadequada, bronco espasmo, hipóxia, a sonda não progride
Fluidificação de secreções: quando as secreções apresentam-se espessas o que dificulta a sua eliminação, é necessário fluidificá-las, para isto, lança-se mão de:
– umidificadores ou vaporizadores que proporcionam vapor d´água;
– nebulizadores que proporciona partículas d´água;
– micronebulizadores que facilitam o uso de medicamentos, quebrando o líquido em micro-partículas.
A fluidificação de secreções é usada continuamente, quando o paciente está em uso de respirador mecânico, ou recebendo oxigênio através do tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia (o oxigênio seco resseca secreções, devendo ser umidificado, quando administrado).
Quem pode realizar a aspiração de secreção?
Conforme o Parecer COREN-SP 023 /2013 – CT, dá-se conclusão de que:
“Ao Auxiliar ou Técnico de Enfermagem devidamente capacitado e supervisionado pelo Enfermeiro, poderá ser delegada a realização de aspiração endotraqueal através de cânula de entubação ou cânula traqueal, em pacientes sob ventilação mecânica ou não, considerados estáveis. Pacientes graves e com risco de morte devem ser assistidos pelo Enfermeiro, portanto, somente este profissional poderá realizar a aspiração, excetuando-se situações de urgência e emergência. A utilização de Soro Fisiológico a 0,9% para umidificar a via e fluidificar a secreção poderá ser prescrita pelo Enfermeiro após avaliação da necessidade do procedimento.
A recusa na realização de um procedimento atribuído a Auxiliares ou Técnicos de Enfermagem pode configurar infração ética, desde que comprovada a sua capacitação técnica, mediante prescrição e sob orientação/supervisão do Enfermeiro. O cuidador familiar não remunerado, poderá ser capacitado pelo Enfermeiro para realização de aspiração de secreção do estoma traqueal ou da cânula de traqueostomia definitiva no ambiente domiciliar, ressaltando que receberá o acompanhamento sistemático e supervisão do Enfermeiro na execução dos procedimentos citados. “
Cuidados Relacionados à Aspiração
Trocar frascos de aspiração e conexões a cada 6 horas.
Usar cateteres apenas uma vez, podendo trocá-lo durante a aspiração caso tenha muita secreção em suas paredes.
Aspiração Endotraqueal
Seguir inicialmente a mesma técnica da aspiração nasotraqueal:
– Desconectar o respirador, caso faça uso.
– Introduzir o cateter através do tubo cuidadosamente.
– Iniciar a aspiração com movimentos rotativos do cateter, retirá-lo gradativamente.
– Rinsar com água estéril ou solução fisiológica (não é fundamental).
– Realizar intervalos de 3 min. de uma aspiração a outra, nunca exceder 15 min. para permitir adequada oxigenação do paciente, se necessário usar o ambú, para realizar ventilações.
A Aspiração de Secreção pode-se proceder pelas vias:
– Vias Aéreas Superiores (VAS);
– Intubação Oro/Endotraqueal;
– Traqueostomia
Realizando o procedimento:
– Verificar indicação do procedimento na prescrição de Enfermagem;
– Lavar as mãos;
– Preparar o material e levá-lo para Box do paciente;
– Orientar o paciente sobre o procedimento;
– Conferir o número da sonda de aspiração, com o número da cânula endotraqueal; (A sonda deve ter diâmetro externo não superior ao diâmetro interno do tubo ou cânula, por exemplo: tubo nº 8/sonda nº 18);
– Colocar máscara e óculos;
– Verificar tipo e características da respiração, condições dos batimentos cardíacos do paciente e simetria da expansão torácica;
– Calçar a luva estéril na mão que vai manipular a sonda de aspiração;
– Oxigenar o paciente com FiO2 à 100% se no respirador, ou ventilar com ambú com reservatório por 01’, antes e após a aspiração;
– Previamente aspirar a boca do paciente conforme o procedimento;
– Abrir embalagem da sonda esterilizada e conectá-la à extremidade do látex;
– Posicionar a cabeça do paciente no sentido oposto a ser aspirado;
– Introduzir suavemente a sonda de aspiração endotraqueal na fase inspiratória, sem fazer sucção, sem forçar, o mais lento possível;
– Observar o paciente e fazer manobra de sucção por 3 a 5 segundos na fase expiratória e tracionar a sonda em um único movimento para fora com movimentos circulares;
– Repetir o procedimento de remoção das secreções não ultrapassando 15 segundos no tempo total de sucção;
– Ventilar o paciente, entre cada aspiração, sempre observando suas reações, coloração da pele e ritmo respiratório;
– Introduzir a seguir a sonda de aspiração, alternadamente, em cada manobra, até a faringe, criando sucção e tracionando-a para fora, com movimentos circulares;
– Retirar excesso de secreção da sonda com gaze esterilizada;
– Utilizar uma sonda para cada aspiração, desprezando após o uso;
– Desligar o aspirador e deixar o sistema seco para evitar refluxo quando usado novamente;
– Proteger a extremidade do látex com saco plástico (tipo bolsa de colostomia) e fixar em um ponto acima do nível do aspirador;
– Retirar a luva, recolher o material e deixar em ordem a unidade do paciente;
– Registrar no prontuário, data e hora do procedimento, quantidade, cor, odor e aspecto da secreção, além das reações do paciente, intercorrências e assinar.
PONTOS A LEMBRAR:
– A aspiração deve ser realizada quando o paciente apresentar: taquipneia, taquicardia, hipotensão, agitação, ansiedade, secreções visíveis, e ausculta de estertores bolhosos e sibilantes;
– O aspirador deve estar desinfetado e ser testado antes de iniciar o procedimento;
– Para colaborar com a tranqüilidade do paciente;
– Sondas de aspiração muito calibrosas podem produzir excessiva pressão negativa, lesar a mucosa e aumentar a hipóxia provocada pela aspiração;
– Promover proteção ao paciente e ao profissional;
– Constatando sinais de depressão respiratória, irregularidade no ritmo cardíaco, cianose de extremidade, solicitar avaliação do médico plantonista antes de iniciar o procedimento;
– Diminuir a hipoxemia resultante das aspirações;
– Evitar contaminação;
– O paciente deve estar em decúbito dorsal com a cabeceira da cama ligeiramente elevada (Fowler 35 – 40º);
– Para a aspiração do brônquio direito, virar a cabeça para o lado esquerdo e vice-versa;
– As secreções dever ser removidas com técnica atraumática e asséptica;
– Conforme o padrão respiratório do paciente, estar atento ao tempo de aspiração;
– Em caso de secreção espessa, rolhas ou mesmo grande quantidade de secreção, avaliar com o médico assistente a indicação de nebulização prévia a este procedimento;
– Durante a aspiração observar: P.A, freqüência cardíaca, arritmias e SaO2 (Saturação de Oxigênio);
– Efetuar a troca de frasco coletor e extensão (borracha), se necessário;
– Ao desprezar as sondas, lavar a extensão do látex, aspirando uma boa quantidade de água, para que toda a secreção seja eliminada do sistema, e não permitida que a secreção do látex retorne à água;
– Caso a sonda não progrida, ver com o médico plantonista a necessidade de troca do tubo ou cânula;
– Neste momento serão usadas luvas de procedimento que, ao término, serão desprezadas no lixo.
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