A Via de Administração Intratecal (IT)

A Via de Administração Intratecal (IT)

A Injeção intratecalvia intratecal ou via subaracnóidea, consiste em uma injeção feita no canal espinhal para acessar o líquido cefalorraquidiano (LCR) e, por extensão, o sistema nervoso central.

Este tipo de administração permite entregar as células-tronco no cérebro e na medula espinhal de forma mais fácil e eficaz, e também, é possível injetar substâncias no canal raquideano, diretamente no espaço subaracnoide, evitando assim a barreira hematoencefálica, atuando assim no sistema nervoso.

É usada apenas caso não haja outras vias disponíveis por ser muito dolorosa.

O emprego desta via deve-se à difícil passagem dos medicamentos para o tecido nervoso especialmente a região do encéfalo. Os medicamentos injetáveis destinados a esta via devem ser soluções aquosas neutras e isotônicas, rigorosamente estéreis e apirogências.

Quem pode realizar este tipo de punção?

A administração de medicamentos por via intratecal requer punção lombar ou colocação cirúrgica do reservatório ou um cateter implantável para a administração da droga. O procedimento de punção lombar deve ser realizado pelo médico, cabendo a enfermagem auxiliar no procedimento através do preparo do material, no posicionamento do cliente no leito e na identificação dos efeitos colaterais.

A Via Intratecal e Epidural são mesma coisa?

Não! A via IT é onde o medicamento é administrado no fluído em torno da medula espinhal, e epidural o medicamento é administrado no espaço ao redor da medula espinhal, portanto, por ser vias parecidas, cada item é deslocado em um ponto diferente!

O uso de Bombas de Infusão Intratecal para Medicamentos

Todos os medicamentos utilizados no tratamento da dor e da espasticidade, além do seu efeito benéfico (desejado) possuem um efeito colateral.

A resposta de cada pessoa ao medicamento é muito individual. Os efeitos benéficos podem ser muito bons e os efeitos colaterais mínimos, até mesmo imperceptíveis, que é o desejado quando se escolhe utilizar um medicamento.

Ou então pode acontecer o contrário: muito efeito colateral para pouco benefício. Nestes casos, o medicamento é retirado do tratamento.

Se mesmo com essas estratégias de se fazer a medicação “pular etapas” para atingir a corrente sanguínea, não for atingido o equilíbrio adequado entre efeito colateral e benefício, há uma possibilidade cirúrgica disponível: as bombas de infusão de fármaco intratecal.

Popularmente, estes dispositivos são conhecidos como bomba de morfina ou bomba de baclofeno 1.

O procedimento, descrito em 1981 por Onofri, se baseia na seguinte lógica: as medicações injetadas na região intratecal (no líquor) atingem o seu alvo de forma mais direta, necessitando de uma dose menor do que a oral, para fazer o mesmo efeito.

Ou seja, uma medicação utilizada por via oral necessita de uma dose 100 vezes maior do que a mesma medicação quando utilizada por via intratecal, reduzindo assim os efeitos colaterais e mantendo o mesmo benefício.

Portanto, o critério para se utilizar uma bomba de morfina (para dor) ou uma bomba de baclofeno (para espasticidade) é que haja resposta benéfica com a medicação, mas não seja possível suportar o seu uso por outras vias.

O Uso da Via Intratecal para medicamentos Quimioterápicos

Como a maioria dos quimioterápicos não ultrapassa a barreira hematoliquórica, a infusão intratecal visa impedir a proliferação neoplásica no sistema nervoso central. As drogas utilizadas são a dexametasona, o metotrexato e a citarabina, algumas vezes em combinação.

Após a administração, o cliente deve ser orientado a manter repouso por duas horas, preferencialmente em decúbito ventral com a cabeceira a 0°, para prevenção de cefaléia, que é o efeito adverso mais comum.

Também podem ocorrer outras reações, após a utilização da via intratecal, como por exemplo: dor lombar, náuseas, vômitos, vertigem, sonolência, crise convulsiva, rigidez de nuca, irritabilidade e paresias.

Alguns Cuidados de Enfermagem com Medicamentos por Via Intratecal (IT)

1. Manter o paciente em repouso pelo menos por duas horas após a injeção;

2. Evitar uso de anticoagulantes como AAS;

3. Monitoramento de sinais vitais após a injeção;

4. Após a administração, o cliente deve ser orientado a manter repouso por duas horas, preferencialmente em decúbito ventral com a cabeceira a 0°;

5. Também podem ocorrer outras reações, após a utilização da via intratecal, como citadas no item anterior.

Os quimioterápicos administrados por via intratecal devem ser preparados e armazenados em local diferente dos outros agentes antineoplásicos; rotular com etiquetas de advertência os quimioterápicos que são administrados por via intratecal.

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