A Encefalite

Encefalite

A encefalite é uma inflamação aguda do cérebro, geralmente causada por infecções virais ou bacterianas. Se não tratada, pode ter consequências graves.

Diversos tipos de vírus podem atingir o encéfalo, dentre eles, o vírus da caxumba, o da rubéola, o da varicela e o vírus da raiva entre outros. Dentre as bactérias temos os meningococos, os pneumococos, a tuberculose e até a sífilis. Os flavivírus, a cujo grupo pertencem a dengue, a febre amarela e a zika podem ser causa de encefalite. Acontecem em certas infestações por parasitas como a neurocisticersose; por protozoários, como a toxoplasmose, a malária, ou meningoencefalite por amebas de vida livre.

Quais são os Fatores de risco?

Embora qualquer pessoa esteja sujeita ao desenvolvimento da encefalite, os principais fatores de risco da doença são:

– Idade

Existem alguns vírus que são mais frequentes durante a infância, enquanto outros acometem mais idosos. Isso pode ocorrer por conta de um sistema imunológico enfraquecido ou por conta de imunizações.

– Problemas no sistema imunológico

Pessoas com um sistema imunológico enfraquecido por algum motivo são mais suscetíveis a qualquer tipo de infecção, além de ficar mais fácil para os microrganismos chegarem no cérebro. Pacientes com HIV, que tomam medicamentos que enfraquecem o sistema imunológico ou possuem qualquer outra condição que afeta seu funcionamento são grandes candidatos para o desenvolvimento da doença.

– Regiões geográficas e épocas do ano

Quando se trata de vírus transmitidos por mosquitos e carrapatos, algumas regiões e estações do ano podem ser um fator de risco para a infecção. Isso porque esses animais têm predileção por áreas de clima quente e estão mais ativos durante o verão.

– Crianças que recebem vacinas

A tríplice viral, vacina contra sarampo, rubéola e caxumba, é um fator de risco para encefalite. Isso porque 1 em cada 3.000 crianças vacinadas desenvolvem a doença. No entanto, isso não é motivo para deixar de tomar a vacina: antes que ela estivesse disponível, essa proporção era de 1 em cada 1.000 crianças.

Não confunda Encefalite com a Meningite!

Embora essas duas doenças afetem o cérebro, existe uma diferença bem grande entre a encefalitemeningite, principalmente em relação à área afetada.

As meninges são membranas protetoras que ficam em volta do cérebro e são as principais acometidas pela meningite. Geralmente, infecções nessas membranas são causadas por bactérias ao invés de vírus.

Já no caso da encefalite, a infecção se dá principalmente por vírus, e a área afetada é o próprio cérebro, não apenas seu revestimento. Além disso, os sintomas desta última são mais severos e incluem distúrbios da consciência e sinais motores.

Como ocorre a transmissão?

Por ser causada por diversos vírus e microrganismos, a encefalite é transmissível sim. O que varia, nesse caso, é a maneira de transmissão.

Alguns dos vírus causadores do problema são transmitidos através da saliva e gotículas respiratórias, outros podem ser por meio de alimentos e bebidas contaminados, enquanto ainda há alguns que são transmitidos em contato direto com a pele.

Dependendo da região geográfica, a encefalite pode ser resultado de uma zoonose, ou seja, os vírus, bactérias ou protozoários podem ser transmitidos por meio de picadas de insetos e carrapatos.

Os Tipos de Encefalite

Apesar de muitos acreditarem que só existe um tipo de encefalite — a viral —, ela pode ser classificada de diferentes formas de acordo com sua origem e duração. Entenda:

– Encefalite infecciosa

Este é o tipo de encefalite causada por doenças infecciosas, como o sarampo e a poliomielite. Pode ser resultado de uma infecção direta ou como resposta do corpo a uma infecção em outros lugares.

Quando causada pelo vírus herpes simplex, é conhecida também como encefalite herpética e pode ser fatal.

– Encefalite pós-infecciosa

Geralmente resultado da reativação de um vírus, a encefalite pós-infecciosa pode ocorrer semanas ou meses após a infecção ter sido resolvida.

– Encefalite autoimune

Em alguns casos, o sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina — um tecido que envolve e protege as células nervosas.

Isso acontece, geralmente, após infecções ou vacinas cujos microrganismos possuem proteínas muito parecidas com aquelas encontradas nesse revestimento dos nervos. Assim, o sistema imune se confunde e passa a atacar tecidos saudáveis, acreditando que ali há uma infecção.

Os principais vírus que desencadeiam essa reação são enterovírus, vírus de Epstein-Barr, HIV e os vírus da hepatite A e B.

– Encefalite crônica

Em alguns casos, a inflamação se dá de maneira lenta e gradual, como no caso de infecções por HIV. Pode ser causada, também, pela Síndrome de Rasmussen, uma desordem neurológica caracterizada por ataques epilépticos frequentes e graves.

Sintomas: como identificar a encefalite?

Os sintomas da encefalite podem variar bastante, dependendo da causa e da parte do cérebro afetada. Num geral, pacientes com encefalite podem apresentar:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Sensibilidade à luz (fotos sensibilidade);
  • Fraqueza;
  • Vômito;
  • Convulsão.

Apesar desses sintomas bem amplos, dependendo das áreas afetadas, alguns sintomas mais específicos são:

  • Alucinações;
  • Má coordenação motora;
  • Lentidão nos movimentos;
  • Rigidez no pescoço e nos membros;
  • Confusão mental;
  • Sonolência;
  • Letargia — que pode evoluir para estupor e coma;
  • Alterações visuais, auditivas e sensoriais;
  • Problemas em formular e compreender a linguagem;
  • Alterações hormonais como diabetes insípido, secreção inadequada de hormônio antidiurético, entre outros.

– Em bebês

Infelizmente, bebês não conseguem expressar o que estão sentindo e, por isso, os pais devem ficar atentos aos sinais que ele demonstra. Alguns exemplos são:

  • Saliência na moleira (fontanela), que indica inchaço cerebral;
  • Náusea e vômitos;
  • Rigidez corporal;
  • Não mamar direito ou não acordar para mamar;
  • Irritabilidade.

Caso perceba algum desses sinais em seu filho, leve-o ao médico imediatamente, pois crianças pequenas podem não resistir à doença.

Como é feito o diagnóstico da encefalite?

O exame de punção lombar consiste na coleta de um líquido que percorre e irriga todo o sistema nervoso, chamado líquido cefalorraquidiano — ou fluido cerebrospinal. Ele pode ser encontrado tanto no cérebro quanto circundando a medula espinhal.

Da mesma forma que os microrganismos circulam no sangue nas infecções mais comuns, os causadores da encefalite também circulam nesse líquido cefalorraquidiano. Dessa forma, além de ser possível detectar a presença de algum microrganismo, em alguns casos pode-se identificá-lo também.

– Imagem por Ressonância Magnética (IRM)

A fim de verificar qual parte do cérebro foi afetada, o médico pode pedir um exame de imagem por ressonância magnética. Esse exame utiliza um campo magnético para gerar imagens do cérebro na forma de “fatias”, que facilita a visualização de anomalias.

Caso não seja possível realizar uma ressonância magnética, pode-se pedir, como alternativa, uma tomografia computadorizada, exame que gera o mesmo tipo de imagem, porém com a utilização de raios-X.

Alguns agentes infecciosos tem uma espécie de “preferência” por certas áreas do cérebro, então os achados desses exames podem ajudar a detectar qual o microrganismo responsável pela encefalite.

– Eletroencefalograma (EEG)

O eletroencefalograma é um exame que monitora a atividade elétrica do cérebro. Com ele, é possível identificar alterações na função elétrica das áreas afetadas, o que pode sugerir um microrganismo específico. No caso de herpes simplex, por exemplo, há alterações de atividade nos lobos temporais — porção do cérebro perto das orelhas.

– Reação em cadeia de polimerase (PCR)

A PCR é uma técnica que produz diversas cópias de um gene, facilitando o trabalho de detectar o material genético do vírus e sua consequente identificação. Alguns tipos de vírus são mais perigosos que outros, como no caso do herpes simplex, que quando não é tratado, pode trazer sequelas graves.

– Biópsia

Raramente, quando os testes anteriores não deram resultados satisfatórios, pode-se requisitar uma biópsia que é a retirada de uma amostra do tecido cerebral. Essa mostra é enviada para análise, onde fica mais fácil detectar o agente infeccioso responsável pela doença.

Quando nenhum microrganismo é encontrado, mesmo após todos esses exames, acredita-se que a encefalite seja produto de um câncer ou de origem autoimune, tipos que não são facilmente detectados por meio de exames laboratoriais.

O Tratamento

Normalmente, encefalites são doenças virais, o que significa que não são usados antibióticos para tratá-las. A única vacina disponível para prevenção é para a encefalite japonesa.

Com a exceção da encefalite por herpes, o esteio de tratamento é alívio do sintoma. As pessoas com encefalites são mantidas hidratadas com fluidos IV, enquanto é monitorado o cérebro. Anticonvulsivos podem ser dados para controle de ataques epilépticos. Esteroides não foram estabelecidos como sendo efetivos. Encefalite de herpes podem causar morte rápida se não diagnosticada e tratada prontamente.

O tratamento indicado é Aciclovir (Zovirax) dado por IV durante 2-3 semanas. Atualmente, o uso de Ribavirin (Rebetol, Virazole), no tratamento de crianças com encefalite de La Crosse, está sendo estudado.

Assistência de Enfermagem com a Encefalite

Um plano de cuidados de enfermagem para encefalite deve concentrar-se em alguns cuidados descritos:

– Na redução da segurança o aumento da pressão intracraniana.Também inclui elevar a cabeceira da cama de 30 graus , dando oxigênio como ordenado , reduzindo os estímulos ao redor do paciente , como evitar tosse, espirros e esforço durante as evacuações. Todas estas medidas irão ajudar a reduzir o risco de qualquer outro aumento da PIC e inflamação.

– Pacientes com encefalite muitas vezes têm hipertermia, ou febre, sendo assim auxiliar com medicamentos prescritos para reduzir a febre, não só para o desconforto do paciente,  mas por causa da febre pode aumentar a pressão intracraniana, realizando o controle da temperatura corporal a cada quatro horas , administrando antipiréticos e banhos de esponja morna como requisitado pelo médico , e monitorar o paciente para sinais de desidratação .

– Encefalite pode causar fortes dores de cabeça, tendo assim alguns cuidados como o posicionamento do paciente (se ele não é contra-indicado pela PIC) e administração de analgésicos leves para combater o desconforto. Pode ser útil para cobrir os olhos do paciente com uma compressa ou gaze, pois assim pode reduzir estímulos desnecessários e a fotofobia.

 

Anúncios