A Doença de Alzheimer e os Cuidados de Enfermagem

Alzheimer

Alzheimer é uma doença caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em certas funções intelectuais. As suas principais consequências são: perda de memória, desorientação no tempo e no espaço, pensamento abstrato, dificuldade no aprendizado, incapacidade de realizar cálculos simples, distúrbios da linguagem, da comunicação e da capacidade de realizar as tarefas cotidianas. O Alzheimer é o principal motivo de demência entre os idosos.

De acordo com o IBGE, o número de idosos no Brasil cresce todos os anos. Para se ter uma ideia, atualmente, no país, para cada duas pessoas com menos de 15 anos, existe uma com idade acima de 60. Porém, na mesma proporção em que a população idosa aumenta, ocorre um crescimento significativo da incidência de doenças crônicas e incapacitantes, inclusive o Alzheimer. A partir dos 65 anos, o risco de desenvolvimento da doença duplica a cada cinco anos; sendo assim, uma pessoa de 70 anos tem o dobro de chances de desenvolver Alzheimer em relação a uma de 65.

No Brasil, o número de pessoas com a doença já atinge cerca de 1,2 milhão. Apenas metade delas se trata, e, a cada ano, surgem 100 mil novos casos. A estimativa é a de que esse número dobre até 2030, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer. Além disso, a cada duas pessoas com a doença, apenas uma sabe que a tem. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que até 2050 o número de casos aumente em até 500% em toda América Latina.

CURIOSIDADES:

Quais são as áreas afetadas?

Uma das áreas cerebrais que a doença altera é o hipocampo, que responde pela memória. Também atinge outras regiões e compromete funções como fala, capacidade de atenção e coordenação motora.

É mais comum em que idade?

É uma doença característica dos idosos e há casos de pessoas entre 50 e 60 anos que já apresentam indícios.

Pode ser confundida com outra doença?

Várias patologias podem ser confundidas inicialmente com Alzheimer. Uma delas é a demência vascular, que costuma ter um início abrupto e um curso integral, ou seja, o paciente tem quadros alternados de piora e estabilização. No caso do Alzheimer, os problemas são mais lentos, pioram com o tempo.

Quais são os sintomas?

Entre os sintomas estão dificuldade de se lembrar, nomear objetos, dizer nomes de pessoas próximas, desenvolver uma conversa, além de desorganização geral para realização de tarefas, como, por exemplo, não conseguir fazer café porque não se lembra da ordem dos ingredientes. A lista também conta com alterações de comportamento, como apatia e desinteresse.

Esquecimentos podem ser sinais de Alzheimer?

Esquecimento leve, que não prejudica a rotina, não é sinônimo de Alzheimer. Deve-se ficar atento a alterações maiores, que atrapalham o dia a dia. Mas vale dizer que podem ser indício até de depressão.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado na história clínica e nos exames físicos e neurológicos. Assim, outras doenças vão sendo descartadas, como derrames. O tratamento tem base na redução do progresso da patologia, já que não tem cura. Aposta-se em remédios que atuam sobre a acetilcolina (envolvida nos processos da memória). Exercícios de lógica, por exemplo, também estimulam a área cerebral afetada.

Como os familiares devem lidar com a doença?

Os familiares não devem negar a situação e cobrar o paciente, perguntando “como você não lembra?”. Também não podem superproteger e impedir que ele faça qualquer tipo de atividade. A melhor medida é estimular, incluir nas festas, designar tarefas que possam cumprir e incentivar atividade física regular.

Como evitar?

Estilo de vida saudável pode ajudar a diminuir a chance de desenvolver a enfermidade, mas não há números concretos sobre a prevenção.

Diagnóstico por exame de sangue

Exame de sangue pode prever com precisão o aparecimento da doença de Alzheimer, de acordo com pesquisa da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. Os cientistas mostraram que testes de nível de 10 gorduras no sangue permitiria detectar, com 90% de precisão, o risco de uma pessoa desenvolver a doença nos próximos três anos. Os resultados, publicados na revista Nature Medicine, passarão por testes clínicos maiores.

Solidão aumenta risco de Alzheimer

Solidão pode dobrar risco de Alzheimer. A pesquisa feita na Holanda, pela Sociedade de Alzheimer, investigou o assunto em mais de 2 mil pacientes e verificou que um em 10 solitários apresentou algum sinal de debilidade mental após três anos. Entre os mais ativos socialmente, a ocorrência foi de um em cada 20. E os riscos são maiores mesmo entre as pessoas que têm amigos, mas ainda assim se sentem solitárias.

Falar ao celular melhora a memória

Falar ao celular poderia melhorar memória e combater Alzheimer, segundo pesquisa da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos. O estudo envolveu 96 ratos de laboratório, alguns deles geneticamente alterados para apresentar distúrbios parecidos com Alzheimer. O resultado verificou que a exposição às ondas eletromagnéticas dos celulares ajudou a impedir que alguns roedores desenvolvessem a doença e reverteu a perda de memória de outros. Também foi apontado um aumento na memória dos ratos sadios.

Andar lentamente pode ser sinal da doença

A velocidade com que a pessoa caminha pode dar pistas sobre a probabilidade do aparecimento de demência em um período mais avançado da vida. Segundo pesquisa coordenada pela especialista Erica Camargo, do Boston Medical Center, nos Estados Unidos, andar lento pode prever Alzheimer.

Alzheimer é mais comum que câncer de mama em mulheres com mais de 60

Mulheres com 60 anos ou mais têm uma em seis chances de ter Alzheimer e são duas vezes mais propensas a desenvolver a doença do que ter câncer de mama, segundo relatório da Associação de Alzheimer. Homens, em comparação, têm uma em 11 chances de apresentar a demência.

Comer brócolis retarda progressão da doença

Brócolis pode ser aliado na luta contra o Alzheimer, segundo cientistas da Universidade de Dundee, na Escócia. O sulforafano presente no vegetal e também encontrado na rúcula, couve e repolhos, foi definido como um importante agente de defesa do corpo e de células vitais do cérebro contra os radicais livres. Pílulas baseadas nesse composto podem ser ainda mais eficazes do que ingerir o próprio alimento. Espera-se que o produto possa retardar ou até mesmo parar a progressão da doença de Alzheimer.

Azeite previne Alzheimer

Azeite extravirgem pode ajudar a prevenir o mal de Alzheimer, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Luisiana, nos Estados Unidos. O benefício vem do composto oleocantal, que parece aumentar a produção de proteínas e enzimas necessárias para remover beta-amiloide, cujo acúmulo no cérebro é um indício da doença.

Insuficiência em vitamina D aumenta risco de Alzheimer

Mulheres devem tomar suplementos de vitamina D, segundo dois novos estudos. É que as que não têm níveis suficientes da vitamina ao atingir a meia-idade apresentam maiores chances de desenvolver Alzheimer. A conclusão é do Hospital da Universidade de Angers, na França, e do Centro Médico VA, nos Estados Unidos.

Controlar a pressão diminui riscos da doença

Controlar doenças vasculares, como hipertensão, aterosclerose e diabetes tipo 2, pode ser uma aposta para reduzir a prevalência da doença de Alzheimer. A conclusão é de especialistas internacionais que analisaram pesquisas recentes. O texto dos profissionais aborda a questão de que uma enfermidade vascular pode afetar o fluxo sanguíneo cerebral e contribuir para a demência.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM NA DA:

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e, sobretudo, uma assistência que merece a divisão de tarefas entre os familiares, visto que os cuidados exigem atenção diuturna, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o portador.

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e, sobretudo, uma assistência que merece a divisão de tarefas entre os familiares, visto que os cuidados exigem atenção diuturna, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o portador.

Para facilitar no cuidado de enfermagem é necessário estabelecer algumas rotinas para o portador da DA, tais como:

Estabeleça rotinas, mas mantenha a normalidade: uma rotina pode facilitar as atividades que você deverá fazer e, ao mesmo tempo, estruturar um novo sistema de vida. A rotina pode representar segurança para o portador; porém, embora ela possa ajudar, é importante manter a normalidade da vida familiar; procure tratar o portador da mesma forma como o tratava antes da doença;

Incentive a independência: é necessário que o portador receba estímulos à sua independência. Faça com ele e não por ele, respeite e preserve sua capacidade atual de realizar atividades de vida diária. Supervisione, auxilie e faça por ele apenas quando não houver nenhuma capacidade para execução de determinada tarefa. Isto o ajudará a manter a auto-estima, o respeito próprio e, conseqüentemente, diminuirá a ansiedade do familiar;

Ajude o portador a manter sua dignidade: lembre-se que a pessoa de quem você cuida é ainda um indivíduo com sentimentos. O que você ou outros familiares fazem ou falam em sua presença pode perturbá-lo. Evite discutir sobre as condições do portador na sua presença;

Evite confrontos: qualquer tipo de conflito pode causar estresse desnecessário em você e/ou no portador. Evite chamar atenção e mantenha a calma de maneira que a situação não piore. Lembre-se que por mais que pareça proposital, é a doença que ocasiona momentos de agitação, agressividade, etc. NÃO é culpa do portador. Tente identificar qual ou quais fatores podem ser responsáveis pela alteração apresentada e, a partir daí, trabalhe para eliminá-los;

Faça perguntas simples: mantenha uma conversa simples, sem incluir vários pensamentos, idéias ou escolhas; as perguntas devem possibilitar respostas como “sim” ou “não”; perguntar “você quer laranja?” é melhor do que “que fruta você gostaria de comer?”.

Mantenha seu senso de humor: procure rir com (e não rir do) o portador de DA. Algumas situações podem parecer engraçadas para você, mas não são para ele. Mantenha um humor saudável e respeitoso, ele ajuda a diminuir o estresse.

Torne a casa segura: a dificuldade motora e a perda de memória podem aumentar a possibilidade de quedas. Por isso, você deve trazer o máximo de segurança para sua casa: verifique tapetes, mesas de centro, móveis com quina, objetos de decoração, escadas, banheiras, janelas, piscinas.

Encoraje o exercício e a saúde física: em alguns casos, o exercício físico pode colaborar para que o portador mantenha suas habilidades físicas e mentais por um tempo maior. O exercício apropriado depende da condição de cada pessoa. Consulte o médico para melhores informações.

Ajude a manter as habilidades pessoais: algumas atividades podem incentivar a dignidade e o respeito próprio, dando propósito e significado à vida. Uma pessoa que antes foi uma dona de casa, um motorista, um professor ou um executivo pode ter maior satisfação usando algumas das habilidades relacionadas ao seu serviço anterior. Lembre-se, entretanto, que a DA é progressiva e os gostos ou habilidades das pessoas acometidas pela doença fatalmente mudarão com o tempo. Conhecer estes detalhes exigirá de você, familiar/cuidador, maior observação para que, dessa forma, seja possível um planejamento de atividades compatíveis com o grau de dependência apresentado pelo portador.

Mantenha a comunicação: com o avanço da doença, a comunicação entre você e o portador pode tornar-se mais difícil. As seguintes dicas poderão ajudá-lo:

– tenha certeza de que a atenção do portador não está sendo prejudicada por outrosfatores;
– fale clara e pausadamente, frente a frente e olhando nos seus olhos;
– demonstre amor através do contato físico;
– preste atenção na linguagem corporal – pessoas que perdem a comunicação verbal, comunicam-se muito com os gestos;
– procure identificar as lembranças ou palavras-chave que podem ajudá-lo a comunicar-se efetivamente com o portador.

Use artifícios de memória: para alguns portadores, o uso de artifícios de memória pode ajudá-lo a lembrar de ações cotidianas e prevenir confusões como, por exemplo: mostre fotografias dos familiares com seus nomes para ajudá-lo a reconhecer quem é quem no ambiente familiar, coloque placas indicativas nas portas identificando o quarto, o banheiro, etc. Lembre-se, porém, que com o avançar da doença estes artifícios não mais terão o resultado esperado.

Referências:

Marzide MHP. A política nacional de atenção ao idoso e a capacitação dos profissionais de enfermagem. Rev Latinoam Enfermagem [periódico na internet]. 2003 Nov- Dez Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692003000600001&1

Netto MP. Gerontologia- a velhice e o envelhecimento em visão globalizada.São Paulo: Atheneu;2000. p.146-59, 181-4, 343-4.

Nitrini R. & Caramelli P (2003) Demências. In: Nitrini, L.E. Bacheschi (orgs). A neurologia que todo médico deve saber. São Paulo: Editora Atheneu (pp. 323-334).

Papaléo Netto M, Carvalho Filho ET, Salles RFN. Fisiologia do envelhecimento. In: Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, editores. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 43-62.

Paula JAM, Diogo MJD. Avaliação da capacidade funcional motora em idosos atendidos em ambulatório de hospital universitário: análise comparativa de dois instrumentos. Rev Panam Salud Publica. 2007.
Rosa ALCS, Amendoeira MCR, Cavalcanti MT. Relações entre gênero e cuidados com o idoso demenciado. Disponível em: http://www.aperj.com.br/rev3_mat5.htm

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