Crônicas de um técnico

[Crônicas de um Técnico] Enfermagem, esse é meu Cotidiano!

Trabalhar na enfermagem é uma dedicação de vida, digamos que você deixa de fazer muitas coisas, perde algumas outras, passa maior parte do dia cuidando literalmente da vida dos outros, no sentido bom, é claro!

Sou formada há quatro anos em técnico em enfermagem e, às vezes, quando as pessoas falam: “Esse final de semana tem feriadão. E aí, vamos viajar?”. Eu respondo: “Não posso, vou trabalhar!”. As pessoas dizem: “Nossa, mas isso é trabalho escravo!”.

Eu sutilmente respondo: “É feriado, mas as pessoas não se curam no feriado e vão embora do hospital e depois do feriado retornam para seguir o tratamento!”. E outra, trabalho escravo seria se eu fosse obrigada a fazer plantão, mas não. Eu faço porque quero, porque gosto do que faço e não me importo de trabalhar no feriado, desde que eu possa folgar em outros dias.

Nesse tempo de enfermagem já ouvi muita gente falar: “Nossa, por que você escolheu essa profissão, menina, tão sacrificante e sem retorno?”. Então já te digo, se tu visas lucros altos, nem te apresenta na enfermagem, agora se tu visas ser feliz em uma profissão que te gratifica a alma, cudo vem que aqui tem.

Se as pessoas soubessem o quão fascinante é, em meio a toda turbulên­cia que é trabalhar em um hospital, tu saíres de um plantão que foi o mais corrido da semana e um paciente te dizer “Boa noite, menina, obrigada por tudo que você fez por mim hoje!”. Só vivendo pra saber. Ver aquele paciente que chegou pra tu cuidares, tão debilitado, sem força, com medicação de hora em hora, em bomba de infusão, com sonda nasoentérica, usando fraldas e precisando de ti até pra fazer algo tão simples como tomar um copo d’água… É incrível o poder que exercemos sobre o outro, não só de cuidar da patologia em si, do quadro clínico do paciente, mas também do poder que temos ao demonstrar um sorriso, ao dizer “Boa tarde, como você se sente hoje?”.

Nós não somos máquinas designadas a fazer procedimentos, fazer curativos, trocar uma fralda, aferir sinais vitais, bem que em alguns dias só conseguimos fazer isso mesmo. Mas temos como missão, também, o cuidado humanizado, o olhar o paciente como um todo, como um ser humano que precisa de ajuda, que precisa da minha ajuda.

Aprendi muitas coisas nessa estrada, aprendi a ter paciência, aprendi a controlar minhas emoções frente a situações que não podemos nos envolver, por termos uma hierarquia a respeitar, aprendi que, para alguns, pacientes são clientes e, para outros, paciente são seres humanos de carne e osso e, se hoje eu atou aqui, amanhã eu posso estar ali no lugar daquele paciente. Então eu sou a técnica de enfermagem que eu gostaria que cuidasse de mim se eu estivesse precisando.

Enfermagem é isso aí mesmo: é correr, é trabalhar duro, é aprender cada dia algo novo, é saber lidar com o próximo, é colocar-se frente as tuas indignações da vida e cuidar da vida alheia, é saber ouvir sem falar, olhar um se expressar, apenas observar, evoluir, checar, bipar, curar, medicar, salinizar, heparinizar, medir, verificar, avaliar, enfim… é ser da ENFERMAGEM.

Por Karen Elisa Loro Wagner, Técnica de Enfermagem.

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