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Segurança na Administração de Medicamentos: O aprendizado básico que levamos dos cursos técnicos!

Considerando todos os tipos de erros que podem ocorrer durante o atendimento à saúde, os de medicação ganham destaque, como em último na mídia, na qual uma técnica de enfermagem administra uma medicação anestésica na veia de uma paciente em vez da medicação correta, devido à sua “confiança ao colega que lhe passou plantão com a medicação já preparada pelo mesmo, pronta para ser administrada”, sendo também a causa mais frequente de eventos adversos evitáveis.

A probabilidade de morte de paciente hospitalizados, provocada pelo erro de medicação é três vezes mais alta do que as resultantes de acidentes automobilísticos e muito mais do que morrer em um acidente aéreo.

O Ato de Medicar é um sistema complexo que envolve vários processos como o de prescrição, revisão e validação da prescrição, transcrição, distribuição ou dispensação, preparo, administração e acompanhamento do paciente e monitoramento da ação ou reação, como ações planejadas e implementadas pelos profissionais da área de saúde para manter ou restabelecer a saúde com a utilização de fármacos. Os Erros e falhas podem ocorrer em qualquer uma destas fases.

Um Evento Adverso não evitável pode ocorrer uma reação anafilática quando o paciente desconhece ser alérgico.

Um Evento Adverso evitável é quando administra um medicamento na qual o paciente já declarou ser alérgico.  É quando administra uma sobre dose ou dose menor por erro de cálculo. É quando não verifica a via de administração daquele medicamento descrito no rótulo e na prescrição médica.

Os tipos de Erros mais Comuns:

Na Prescrição: Ocasionado pelo médico, nesta fase ocorrem 39% dos erros, sendo que 68% conseguem ser evitados pela leitura atenta das prescrições, e o restante pode ocasionar prejuízos ao paciente. Na revisão e validamento, que é a fase de conferência e identificação se a prescrição está completa.

Na Transcrição: É quando é feita a digitação de uma prescrição, onde ocorre 12% dos erros.

Na Dispensação:  Na qual é realizado pela farmácia e cumprido pela enfermagem, nesta fase temos 11% de erros.

No Preparo e Administração: Nesta fase, temos 38% de erros. Ocorrem 81% de prejuízo ao paciente, a realização desta etapa exige atenção e foco, conhecimento técnico, de cada droga que está sendo administrada, na responsabilidade de execução de todos os processos  desta fase. Ainda constitui o erro de administração, que são falhas na assepsia durante o preparo, na diluição errada, não controlar o tempo de infusão do medicamento, administrar na veia errada, administrar o medicamento no paciente errado, associação de medicamentos incompatíveis, a volume de infusão errada por defeito no equipamento.

Na Omissão: É quando deixa de checar a medicação ou deixar de anotar a medicação dada ou não dada por algum motivo, deixando de passar em plantão as informações sobre a prescrição médica, e esquecer de administrar as medicações.

No Horário: É quando atrasa ou adianta a medicação. As medicações de ação imediata após 30 minutos já é considerado um atraso. Medicamentos de longa duração após 1 hora é considerado atraso.

No Preparo: Quando associa os medicamentos incompatíveis, diluição errada, falhas técnicas de administração, ou uma identificação incorreta.

Na Administração: Quando há falha na assepsia, na técnica, e quando administrar o medicamento errado: Por via errada, por troca de pacientes, pela velocidade de infusão, ou quando há associação de medicamentos.

No Erro de Dose: Quando é administrado a mais ou a menos, como exemplo, administrar 40 UI de insulina R ao invés de 4 UI.

Na Validade: Por uso de medicamentos deteriorados fora do prazo de validade ou com estabilidade vencida, tenha em alerta sempre com medicações em soluções abertas há muito tempo, verificando o prazo de validade dado pelo fabricante.

No Erro por falta de adesão ao tratamento pelo paciente ou família: Quando a família não dá a medicação porque acha que faz mal ao paciente, ou deixar o medicamento que o paciente faz uso em casa  com ele e não verificar se ele está tomando, dando orientações à família sobre a finalidade do medicamento, a via de administração, os horários, e a dose.

No Erro de administração de medicamento não autorizado: Como exemplo, está prescrito ACM (A Critério Médico), e o paciente agitou e o profissional administra a medicação que está à critério médico.

No Erro de Apresentação:  Como exemplo, dar hipoglicemiante V.O (Via Oral), porque não encontrou a insulina NPH.

No Erro de Monitorização:  Quando administra Insulina R sem realizar dextro, ou quando não realiza dextro após 40 minutos para checar se a insulina fez efeito.

 

Quais são as Prevenções de Erros na Administração de Medicamentos?

• Padronizar as prescrições de medicamentos:

– evitar emprego de abreviações, porém, se for imprescindível, a instituição deve elaborar um siglário para uniformizar o uso de abreviações.

– evitar o uso de casa decimal, porém, quando for imprescindível, utilizar número antes do ponto. Ex.: 0,50 ao invés de .50.

– destacar as alergias conhecidas, colocando a informação na capa do prontuário, na prescrição do dia e na pulseira do paciente.

– uniformizar a utilização de unidades de medida. – incluir informações sobre peso do paciente.

– implantar sistema eletrônico de prescrição de medicamentos com recursos de apoio à decisão clínica.

• Disponibilizar local adequado para a prescrição de medicamentos, sem fontes de distração e que proporcione poucas interrupções.

• Documentar o cálculo das doses de medicamentos de alto risco no prontuário do paciente.

• Implantar dupla checagem do cálculo de medicamentos, por dois profissionais, sempre que possível.

• Incluir um farmacêutico clínico na equipe multidisciplinar que verifique a adequação da prescrição e a dose do medicamento e que esteja disponível para esclarecimento de dúvidas nas outras etapas do sistema de medicação.

• Solicitar que o médico refaça os cálculos da dose prescrita sempre que houver dúvidas ou discordância em relação à prescrição.

• Não interpretar letras incompreensíveis; esclarecer com quem prescreveu.

• Não executar prescrições rasuradas. Peça para que sejam refeitas com clareza. Nunca realizar prescrição quando tiver dúvida, procure esclarecer com o médico, enfermeiro e ou farmacêutico.

• Nunca Instale medicação com rótulo feito por outro colaborador.

• Nunca administre medicamentos separados por outro colaborador, sem antes de conferir na prescrição médica, se o que foi separado está correto.

•Nunca administre medicação preparada por outro colaborador.

• Desenvolver continuamente habilidade na realização de cálculos.

 

Opinião final:

Sobre a fatalidade do caso da técnica de enfermagem na qual está aparecendo na mídia sobre um grave erro, na qual é aprendido o oposto nos cursos de enfermagem, uma simples “desculpa aos familiares”, não lhe trará mais sua consciência limpa, seu título do COREN, e nem o paciente de volta, desde que não seguiu nenhuma das prevenções básicas nas quais aprendemos desde nos fundamentos de enfermagem, somos re-orientados nas integrações hospitalares.

São 6 certos no preparo (paciente certo, medicamento certo, via certa, dose certa, hora certa e validade da medicação), e 9 certos na administração (paciente certo, medicamento certo, via certa, dose certa, hora certa, compatibilidade medicamentosa, orientação ao paciente,direito de recusa e anotação correta, que é checar, relatar, relatar intercorrências, assinar e carimbar).

Pelo fato de confiar ao que o colega lhe deu para ser administrado é totalmente errado e fora das regras básicas no preparo e administração de medicamentos. Você como profissional tem o respaldo pelo COREN o direito de recusar uma medicação já preparada por outro, cabendo-lhe a responsabilidade de realizar a preparação certa, checagem certa e administração certa.

Como eu sempre digo à todos que lhe me coagem com esta situação: QUEM SEPARA PREPARA, QUEM PREPARA ADMINISTRA, QUEM ADMINISTRA CHECA E RELATA. 

 

 

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