Histórias

O outro lado da moeda

Me chamo Ju, não tenho nada a ver com a área da saúde (sou arquiteta), mas já estive do outro lado, o do paciente, muitas vezes mesmo. Parte dessas vezes, foi dentro de UTI e por muito tempo, sabe o que eu acho dos técnicos de enfermagem, auxiliares e estagiários? Foram meus ANJOS DA GUARDA!

Passei quase quatro anos entre idas e vindas de hospitais, tive tudo quanto é tipo de decepção com médicos, mas quanto as equipes de enfermagem, eu só tenho a agradecer. Acho que esse pessoal tem um dom especialíssimo de amar ao próximo, cuidar e mais um monte de coisas que, para mim, são inexplicáveis. Não conseguiria trabalhar nessa área nem por um dia, não seria capaz. Dos banhos, fraldões, comadres à sentar do meu lado, com um sorriso no rosto, no meio da madrugada, dizendo que tudo vai ficar bem, me fazendo acalmar, parar de chorar e dormir, eu só posso dizer que esas pessoas são anjos.

Até hoje choro quando lembro do que fizeram por mim e não há como agradecer além dos abraços, beijos e obrigada que dei. Queria que você soubesse que existem pessoas que pensam como eu e que admiram demais vocês. Infelizmente, não posso fazer nada de concreto, como, por exemplo, aumentar os salários miseráveis que recebem, exigir muito mais respeito de toda a equipe de um hospital, etc.

Quanto as doentes que vocês salvam (e salvam mesmo, mais que os médicos que operam e deixam ao seus cuidados. Do que adianta uma operação bem sucedida se não houver total cuidado pós-cirúrgico? Quem sobreviveria?) acho que realmente, boa parte está em situação tão sofrida que não percebe direito o mundo ao seu redor, Está triste, com raiva, com dor e acaba descontando em quem está do lado. Não dá para julgar uma pessoa nessas condições, também me incomodo com isso, mas fazer o quê?

Eu, assim que acordava das muitas anestesias, birutinha, tratava de ler os nomes nos crachás, chamar cada um pelo nome, nunca (e não gritar ENFERMEIRAAAA), conversar sempre, perguntar sobre a vida de cada um, claro, isso tudo em pequenas doses porque a equipe de enfermagem está quase sempre correndo muito, e eu não podia “alugar” os ouvidos do pessoal. Dizer obrigada todo o tempo, por favor mais ainda, bom dia, boa tarde, boa noite.Fiz amigos inesquecíveis nas UTIs, pessoas com quem não tenho mais contato, mas moram no meu coração.

Na primeira vez que tive alta de uma UTI, fui para o quarto, claro, e quando tive alta de vez, fiz minha mãe comprar quilos de bombons e escrever uma cartinha (não podia escrever, não mexia os braços) de amor para o pessoal da UTI. Me levaram lá, fora do horário de visitas, numa cadeira de rodas, eu dei os bombons e entreguei a cartinha. Eles leram e pregaram em um mural. Beijei, abracei, chorei muito (e eles tb) e principlmente, agradeci demais. E ainda assim, me sinto em dívida ETERNA com todos.

Uma linda história vivida por um paciente, na qual conta sua experiência vivida no lado de ser cuidado. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s