Histórias

Cabeças satisfeitas

Fui convocado a assumir dois pacientes em um outro setor. Tínhamos uma escalinha para assumir outras unidades caso alguém faltasse. E como não tinha ido era a minha vez. Iria cobrir por um plantão a Uti neurointensiva. Estava ansioso e curioso pois era uma coisa meio que nova para mim. Apesar de ser quase a mesma coisa que uma UTI adulta, os cuidados lá são um pouco mais específicos.

Cheguei no setor e me apresentei. Falei que estaria cobrindo o colega que faltou ao enfermeiro, e me deram boas vindas. Fui encaminhando ao box em que iria ficar, e fiquei observando o lugar. Era um setor bem menor do que eu ficava, tinha 8 leitos. Fui bem recebido aos colegas com quem iria trabalhar. Me senti em casa!

Fui orientado quanto o que precisa ser feito, o banho e os cuidados principais. Por ser uma UTI neuro, o principal cuidado é a cabeça. Tinha pacientes com drenos, incisões, traumatismo craniano. Muitos deles vinham diretamente do centro cirúrgico, outros eram atendimento que vieram da emergência.

Começamos os cuidados, como era igual ao que fazia. Separei e administrei medicações, como de sempre. O plantonista era outro, e era especialista em neurologia. O ambiente é calmo, os colegas bem receptivos, fomos trabalhando e conversando. Perguntaram um pouco sobre mim, da onde vinha e se gostava do que fazia. Contei um pouco do meu trajeto até a chegada de onde estou, e disse que estava amando. Era a primeira vez que saía do meu setor para cobrir outro. É uma aventura boa.

Gostei da idéia de fazer isso. É muito bom conhecer outros setores e um pouco de suas particularidades. Apesar do hospital ser o mesmo, cada lugar tem seu protocolo. Fiquei encantado em conhecer o DVE (Derivação ventricular Externa), e o cateter de PIC (Pressão intracraniana). Não tinha os visto ainda em meu setor. Tinha que ter todo o cuidado para manusear o DVE, tinha que drenar todo o conteúdo para um saquinho que ficava atrás do leito do paciente. Lá se media de manhã o PVC (pressão venosa central), era protocolo também.

O relatório de enfermagem era praticamente o mesmo que eu fazia. Só que lá eles enfatizam muito a avaliação ocular do paciente, pois a cada tipo de pupila poderia indicar um tipo de trauma. Era muito interessante!

Deu a minha hora e fui jantar. Um colega de lá foi comigo, fomos conversando. Disse que estava gostando muito da experiência, e que se tivesse mais oportunidades de cobrir me disponibilizava. Ele disse que já trabalha lá alguns anos, e sempre foi um ambiente tranquilo. São paciente específicos, muitos deles ficam agitados, confusos, temos saber lidar com seus psicológicos. Quando precisa de alguém para cobrir lá é sempre uma briga. Muitos não gostam de sair de seus setores para ficar em um lugar desconhecido. Somos em poucos funcionários, e qualquer um que fique doente sempre desfalca. Ele diz que já cobriu o setor de onde eu sou. Também gostou da experiência, mas que não troca a UTI neuro por nada!

Jogamos conversa fora, o tempo passou rápido! Passei meu plantão e voltei ao meu setor para ir embora. Fiquei pensando comigo: “Porque as pessoas não iriam gostar de ter uma experiência nova? Será pelo medo de achar que não voltarão mais? Medo de encarar novos desafios? Adorei ter ido a um lugar diferente, mesmo por um plantão. Agente acaba aprendendo um pouco mais sobre outras patologias. Se não tivesse essa oportunidade, não teria visto ao vivo alguns procedimentos que somente teria lá”.

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