Histórias

Uma mão lava a outra!

Era um plantão como todos os outros. Banho no leito, medicações, oferta de dieta para os pacientes. Alguns colegas faziam questão da minha ajuda, outras nem tanto. Muitos dos meus colegas ali trabalhavam em dois empregos diferentes, por diversas razões. Sendo da área da saúde, trabalhando na área da enfermagem, pode te dar muitas oportunidades. Tem instituições que contratam para regime de 6 horas, outras 12×36 horas, outras somente trabalham dia de semana com regime de 8 horas. Eu ainda não tinha um segundo emprego. Queria primeiramente aprender tudo que era importante nesse em que estava antes de me arriscar. É muito bom ter um pouco de experiência antes de mais nada. Mas graças a Deus o meu primeiro emprego na área da saúde foi nesse hospital.  Há muitos hospitais que dão essa oportunidade para aqueles que nunca tinham trabalhado. 

E aqui estou, depois das minhas histórias contadas lá trás, mostram um pouco da minha jornada de chegada até aqui. Eu sou uma pessoa que não nega trabalho. Aprendi que nessa área somos todos um. Ou era para ser. Tive pela minha avaliação passada um mérito por isso, isso é importante para aqueles que nos gerenciam. 

Estava durante meu plantão trocando as drogas das bombas do meu paciente, enquanto o paciente do box do meu colega estava apresentando PCR. Como protocolo, iríamos iniciar a massagem cardíaca. Só que quando estava indo ajudar empurrar o carrinho de emergência, o colega do box simplesmente me mandou sair. “Deixa o serviço para quem está mais tempo aqui” , disse. Eu na hora fiquei sem o que falar, porque isso foi um ato desrespeitoso. Posso ser novo, mas já tinha ressuscitado pessoas quando precisavam na enfermaria de onde vinha. Deixei quieto. Veio mais dois técnicos para ajudar, e uma enfermeira. Aquele médico baixinho, calado e que também não ia com a minha cara foi prestar assistência para o paciente.

“Faça duas adrenalina e duas atropina nela!” Gritava o médico. Era uma correria, e eu fiquei de camarote. Mas não sai dali, queria ver todo o processo. Nada da paciente voltar, eram 10,15 minutos, e todos ali já ficando exaustos, estavam revezando entre si as massagens e as medicações. Até uma hora um deles me chamar para revezar a massagem, e claramente que fui, porque como disse no começo, não nego trabalho. O colega que tinha me negado a ajuda ficou sem graça. Via nele um olhar de cansado, suado por ter feito tanto esforço físico. Já eram 25 minutos e o médico constatou óbito, era uma  paciente bem grave. 

Tínhamos que preparar o corpo enquanto o enfermeiro iria ligar para a família. De todos ali se resumiu somente a mim e o meu colega que estava sem graça. “Pode deixar que te ajudo a desmontar o box”, lhe disse. Ele simplesmente sacudiu a cabeça e não olhou para mim. Ele foi tirando todos os aparelhos da paciente e eu fui levando todas as coisas que ela tinha usado para uma salinha de utilidades. 

Eu penso assim, você tem 12 horas de plantão, acontece intercorrências, você nega ajuda, você que será prejudicado. Ninguém em qualquer lugar que você trabalhe, irá fazer as coisas sozinho. Você não abraça uma emergência sozinho. Existem cabeças. Quem comanda e quem opera. Mão de obra compartilhada, ninguém sairá exausto e nem estressado. Se pensa e age desse jeito, está na profissão errada. 

E no final do plantão, o colega me agradeceu, “obrigado pela ajuda. Acho que estava um pouco estressado pelo fato de estar fazendo 24 horas de plantão.” Eu entendo perfeitamente que, trabalhar em mais de um lugar corre grandes riscos de estresse comumente. Por isso que existe trabalhos em grupos. Não só pelo fato de um ajudar pelo cansaço do outro, mas sim pelas coisas fluírem melhores e ter menos erros humanos. 

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